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Centrais solares- O caso de Salvaterra de Magos: Presidente da Câmara recusa olhar para este tipo de projetos como se fossem o demónio

As crescentes preocupações com os impactos das alterações climatéricas, e a necessidade de redução das emissões de CO2 na atmosfera, têm levado a um fenómeno de multiplicação de centrais solares em Portugal. Azambuja está na mira de empresários do setor, mas Salvaterra de Magos já começou este processo e funcionam desde há pouco tempo alguns projetos no terreno.  Estima-se que haja no ano de 2021, uma instalação recorde de novas centrais fotovoltaicas. Só no concelho de Salvaterra de Magos, existem duas em funcionamento, a de Marinhais e a do Granho, cada uma com a potência de 25 MW,  e “está ainda em curso um estudo de viabilidade” para construção de uma terceira, segundo Luís Gomes, vereador do Bloco de Esquerda (BE), da mesma autarquia, em declarações ao Valor Local.
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Luís Gomes é perentório: Estes investimentos “têm de ser enquadrados numa perspetiva de desenvolvimento da localidade”. No caso concreto do Granho, “a possibilidade de crescimento ficou completamente estanque” devido à ocupação destas terras. Outro dos constrangimentos desta central é que trouxe um “impacto visual considerável”, já que se situa parcialmente próxima de uma zona urbanizada. Apesar de ocupar apenas uma área de 50 hectares situa-se paredes meias com a aldeia do Granho e a sua vinda para o concelho foi contestada nas redes sociais.

Quanto à criação de empregos, também evidencia que nada o concelho ganhou nessa matéria: “Tenho de reconhecer que existem condicionantes muito grandes. A lei não permite grandes intervenções, a não ser alguma vontade política para sensibilizar os proprietários dessas empresas. Os impactes positivos são zero. Estiveram lá durante a sua construção à volta de 100 trabalhadores, mas não há conhecimento de que fossem oriundos do concelho ou da região. A esmagadora maioria dos que por lá andaram tratava-se de mão de obra barata.” Segundo se constou à época, a empresa subcontratada para esse feito, a Iberica Renovables LDA, recorreu a imigrantes provenientes de países como Índia e Paquistão.
O projeto é do grupo EFACEC e já está em funcionamento. Segundo o “Ribatejo News” terá sido o próprio presidente da junta de Glória/Granho a interceder junto da empresa subcontratada para que desse emprego a pessoas da terra.

Ouvido pelo Valor Local, o presidente da Câmara, Hélder Esménio, garante que aquele projeto está “completamente fora da área urbana e urbanizável” e que foi construído numa zona florestal, sem infraestruturas de saneamento e de água, e de acordo com o Plano Diretor Municipal (PDM). E lança as seguintes questões: “O concelho não faz parte de um todo nacional?”; “Um investimento que tem um ‘interesse relativo’ seja ele feito em qualquer localidade, e cujo grande mérito é limitar o gasto de energia fóssil utilizando a energia solar, tem de trazer mais valia direta para a população onde é feito?”. Mas deixa ainda mais questões: “É algum investimento poluidor ou que crie mal-estar às populações? É pecaminoso do ponto de vista ambiental? É uma mera ocupação territorial do que antes era floresta. Por que razão teria de dar compensações?”. Esclarece ainda que ao abrigo da lei, a negociação de contrapartidas por parte da autarquia não é legal, e coloca questões de transparência. “Quando se começa a pedir dinheiro para os bombeiros, por que não se pediu para a Santa Casa ou para a associação de solidariedade social ou para um clube desportivo. Ou seja, não saímos daqui!”

Quando questionado se a empresa foi convidada a sedear-se no concelho, não confirma e diz: “Vivemos num país onde existe liberdade empresarial. A empresa quando vem com um projeto para a Câmara já está constituída”. Minimiza ainda a questão da barreira visual criada, dizendo que “tudo cria impacto paisagístico” e que a central foi construída “num terreno amplo”, sendo que as infraestruturas têm cerca de “1,5 metros de altura”.

Para o autarca, a questão reside na circunstância de se saber se o  terreno poderia ter tido um fim diverso mais importante para o concelho, que não o do projeto da central, “o que pode ser discutível”, mas assegura que não o teria aprovado se pensasse dessa maneira.
Sobre a questão de eventuais pressões, de que outros autarcas se queixam por parte do Governo, para a aprovação deste tipo de empreendimentos, garante que não tem sido o seu caso.

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