“As pessoas estão primeiro” e o Estado tem de garantir que esse princípio se traduz em respostas concretas. Foi com esta ideia que a secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, marcou a inauguração, na passada sexta-feira, do novo Complexo Social e de Saúde da Quinta das Rosas, da CERCI Flor da Vida, em Azambuja. Em representação do primeiro-ministro, Luís Montenegro, a governante assumiu o compromisso de continuar a reforçar a sustentabilidade do setor social e defendeu uma articulação cada vez maior entre a Segurança Social e a Saúde.
Perante responsáveis da instituição, autarcas, dirigentes do setor social, profissionais e utentes, Clara Marques Mendes apontou o envelhecimento demográfico e a permanência prolongada de pessoas nos hospitais por falta de respostas sociais ou de cuidados continuados como alguns dos principais desafios. “O problema é das pessoas e quando o problema é das pessoas é ao Governo que compete dar a resposta”, afirmou.
A secretária de Estado destacou o esforço feito para melhorar o financiamento das instituições, referindo que, nos últimos dois anos, foram concretizadas atualizações superiores a 440 milhões de euros no setor social. Reconheceu igualmente que a burocracia continua a criar dificuldades às instituições e garantiu disponibilidade do Governo para rever regras quando estas não respondem à realidade. Até ao final do ano, anunciou, deverá abrir um novo PARES para lar residencial e CACI, dando prioridade aos lares residenciais, resposta que não beneficiou de apoio no âmbito do PRR.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, classificou a abertura da Quinta das Rosas como um momento importante não apenas para a instituição e para o concelho, mas para toda a região. O complexo representa um investimento global superior a nove milhões de euros e reúne respostas nas áreas da deficiência, envelhecimento, apoio domiciliário e cuidados continuados. Entre as valências encontram-se uma estrutura residencial para idosos, lar residencial e CACI, serviço de apoio domiciliário e uma unidade de cuidados continuados de longa duração e manutenção.
O equipamento deverá ainda criar cerca de 80 postos de trabalho, uma parte significativa dos quais para profissionais qualificados e quadros superiores. A Câmara de Azambuja apoiou a concretização do projeto com 350 mil euros, justificando a verba com o interesse público e o impacto regional do investimento. Silvino Lúcio deixou também um reconhecimento particular ao presidente da CERCI Flor da Vida, José Manuel Franco, pela “visão, persistência e capacidade de concretização” que permitiram transformar o projeto numa realidade.

De uma instituição em dificuldades a um investimento de nove milhões
José Manuel Franco recordou um percurso particularmente difícil. Quando os atuais órgãos tomaram posse, em fevereiro de 2020, a instituição encontrava-se, segundo o dirigente, tecnicamente insolvente e acumulava dívidas na ordem dos 800 mil euros. Pouco depois chegou a pandemia, colocando a CERCI perante novas dificuldades. Ainda nesse ano começou, contudo, a ser preparada a candidatura que acabaria por dar origem ao novo complexo.
A primeira solução passava pela recuperação do antigo Hospital/Centro de Saúde de Azambuja, numa parceria com a Santa Casa da Misericórdia. O entendimento não avançou e, perante os prazos apertados da candidatura, o projeto foi transferido para o terreno onde hoje se ergue a Quinta das Rosas.
Com cerca de 5.131 metros quadrados e três pisos, o edifício integra áreas de atividades, terapias e refeições, estruturas residenciais e cuidados continuados. José Manuel Franco destacou ainda a aposta na eficiência energética, com a instalação de 192 painéis fotovoltaicos e outras soluções que permitiram ao complexo alcançar a classificação energética A.
Visivelmente emocionado, o presidente da CERCI Flor da Vida lembrou os anos dedicados à concretização do projeto e sublinhou que, apesar da dimensão e qualidade das novas instalações, são os profissionais e os utentes que lhes darão verdadeiro sentido: “As pessoas é que fazem o edifício.”




