Abrir uma torneira e ter água disponível é um gesto simples, mas por detrás dele existe uma estrutura de controlo, tecnologia e monitorização praticamente invisível para os consumidores. Em entrevista ao Valor Local, Arlindo Dias, vereador e presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Vila Franca de Xira, explica como os serviços procuram garantir a qualidade da água, antecipar problemas na rede e sensibilizar para uma utilização racional deste recurso.
Uma das peças centrais é o laboratório próprio dos SMAS, que desempenha “um papel central no controlo e garantia da qualidade da água distribuída”. A monitorização permite verificar o cumprimento dos requisitos legais e detetar, corrigir e prevenir mais rapidamente eventuais problemas.
Para Arlindo Dias, a principal vantagem é o laboratório funcionar também como “uma ferramenta de gestão do sistema de abastecimento”. Os resultados são articulados com as equipas de exploração, manutenção e engenharia e podem levar à lavagem de reservatórios, purgas de condutas, ajustes de tratamento ou investigação de ocorrências.
A intenção é passar de uma lógica reativa para uma abordagem “preventiva e de gestão do risco”, antecipando problemas e reduzindo o tempo entre a deteção de uma anomalia e a intervenção. O laboratório é acreditado segundo a ISO/IEC 17025, garantindo competência técnica, rastreabilidade e fiabilidade dos resultados, enquanto ensaios mais específicos podem ser realizados em laboratórios externos igualmente acreditados.

As amostras são recolhidas por técnicos certificados em diferentes pontos da rede e identificadas com local, data e hora. Seguem depois para análises microbiológicas, químicas e físicas, através de métodos e equipamentos específicos. O processo envolve ainda calibração dos equipamentos, preparação de reagentes, controlos de qualidade e comparação dos resultados com os valores legalmente estabelecidos.
“A qualidade depende de toda a cadeia”, salienta Arlindo Dias, lembrando que o laboratório integra um sistema mais amplo de vigilância e gestão da água, desde a recolha das amostras à interpretação dos resultados.
Tecnologia ajuda a detetar fugas e consumos anormais
A tecnologia está também a transformar o acompanhamento da rede. O sistema de telegestão permite monitorizar praticamente em tempo real caudais, pressões e volumes consumidos, facilitando a deteção de fugas, desperdícios e consumos anormais.
Os novos contadores assumem igualmente um papel mais abrangente. Equipados com módulos eletrónicos e de comunicação, possibilitam leituras remotas e mais frequentes, ajudam a identificar fugas e reduzem a faturação por estimativa. Para o responsável, passaram a funcionar como “um verdadeiro sensor de informação sobre a rede e sobre o comportamento do consumo”.
Crianças ajudam a levar mensagem às famílias
Paralelamente, os SMAS apostam na sensibilização para o uso eficiente da água, com particular atenção às escolas e jardins de infância. As ações utilizam materiais visuais e jogos didáticos adaptados às diferentes idades, procurando criar hábitos mais responsáveis. Arlindo Dias destaca ainda o papel das crianças como “agentes de difusão destas informações” junto das próprias famílias.
As campanhas estendem-se a outdoors, comunicação social regional e redes sociais, sendo adaptadas aos diferentes períodos do ano. No verão, por exemplo, é reforçado o apelo a um consumo sensato e à racionalização da utilização da água.
Dar a conhecer aquilo que acontece antes de a água chegar à torneira é também, para Arlindo Dias, uma forma de aumentar a confiança dos consumidores. A qualidade tem de ser assegurada não apenas na origem, mas durante o armazenamento e toda a distribuição.
“A segurança da água não acontece por acaso”, sublinha. É resultado de “prevenção, monitorização, análise, manutenção e capacidade de resposta”.
A estratégia dos SMAS procura, assim, conjugar três dimensões: tecnologia para conhecer melhor a rede e antecipar anomalias, controlo permanente da qualidade da água e sensibilização dos consumidores. O objetivo, conclui Arlindo Dias, é otimizar os recursos tecnológicos para assegurar a qualidade do serviço, promovendo simultaneamente uma utilização da água “com racionalidade e preocupação de sustentabilidade ambiental”.




