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Exposição dos 125 anos da Palha Blanco abre portas à memória taurina de Vila Franca

A Praça de Toiros Palha Blanco voltou a abrir as portas à memória e à identidade de Vila Franca de Xira com a inauguração da exposição comemorativa dos seus 125 anos. A mostra, patente no espaço do antigo restaurante “O Redondel”, assinala uma das principais iniciativas do programa Semear Afición e integra as celebrações do Colete Encarnado, numa altura em que a cidade volta a viver de forma intensa a sua ligação ao campo, à festa brava e às tradições ribatejanas.

Fotografias, documentos, cartazes, objetos e testemunhos ajudam a contar uma história que não se esgota no edifício inaugurado em 1901. A exposição propõe uma viagem mais longa pela presença da tauromaquia em Vila Franca de Xira, recuando a práticas e memórias anteriores à própria Palha Blanco e revisitando as várias praças que existiram na cidade. Mais do que uma enumeração cronológica, a mostra procura convocar emoções, memórias familiares, vivências coletivas e a relação profunda entre Vila Franca e a cultura taurina.

Bernardo Alexandre, gestor da Praça de Toiros Palha Blanco e curador da exposição, destacou precisamente esse lado emocional do projeto. Na sua intervenção, sublinhou que esta não pretende ser uma exposição fechada sobre todos os episódios dos 125 anos da praça, mas antes uma viagem pela história da tauromaquia vilafranquense, desde o século XVII até aos dias de hoje. O responsável lembrou o trabalho de investigação desenvolvido e o acesso a espólios de grande valor histórico, muitos deles pouco conhecidos do público.

O gestor da praça fez questão de agradecer à equipa técnica da Câmara Municipal e a todos os que, nos bastidores, contribuíram para tornar possível a exposição. Para Bernardo Alexandre, a riqueza do material existente mostra que Vila Franca de Xira tem condições para ambicionar mais no futuro, defendendo que este património poderia um dia dar origem a um grande museu da tauromaquia, com dimensão nacional e até internacional.

Também Armando Carvalho, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira, proprietária da Praça de Toiros Palha Blanco, sublinhou a responsabilidade de celebrar um edifício emblemático da cidade. O provedor recordou que a Palha Blanco é uma marca indelével da identidade vilafranquense e deixou uma palavra de reconhecimento ao empenho de Bernardo Alexandre, dos trabalhadores da Câmara Municipal e de todos os “invisíveis” que participaram na preparação da mostra.

Na cerimónia foi ainda assinalado o contributo do Ateliê Artístico Vilafranquense, com a oferta à cidade do pasodoble “Palha Blanco, 125 Anos”, da autoria do compositor Vasco Alexandre Valente. Para Armando Carvalho, este gesto enriquece o património musical e cultural de Vila Franca de Xira, juntando à memória da praça uma nova peça artística ligada à sua história.

O provedor lembrou ainda que a Praça de Toiros Palha Blanco assinalará oficialmente os seus 125 anos no dia 30 de setembro de 2026, data em que foi inaugurada em 1901. A Santa Casa prevê assinalar esse momento com uma cerimónia própria, que incluirá o descerramento de uma placa alusiva à efeméride.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, enquadrou a exposição no ambiente de festa que já se vive na cidade com a aproximação do Colete Encarnado. O autarca afirmou que a ideia surgiu quase como uma “aventura”, mas rapidamente ganhou forma graças à vontade de dinamizar a praça e de valorizar a sua história ao longo do ano.

Fernando Paulo Ferreira agradeceu a Bernardo Alexandre, à Santa Casa da Misericórdia, aos trabalhadores do Museu Municipal e da autarquia, considerando que a exposição nasce desse trabalho conjunto. O presidente recordou ainda o contexto histórico em que a Palha Blanco foi inaugurada, no início do século XX, num Portugal em ebulição política e social, ainda marcado pela monarquia e pela afirmação republicana.

Para o autarca, a energia que hoje se sente em Vila Franca de Xira, às portas do Colete Encarnado, tem algo em comum com esse tempo fundador da praça: uma cidade mobilizada, apaixonada, participativa e profundamente ligada às suas tradições. Fernando Paulo Ferreira deixou ainda uma nota de afirmação ribatejana, defendendo que, no Ribatejo, poucas festas têm a força simbólica e popular do Colete Encarnado.

A inauguração da exposição marcou assim o arranque do Semear Afición, programa que junta memória, cultura taurina, tertúlias, gastronomia e momentos de animação, procurando aproximar novos públicos da Palha Blanco e reforçar a ligação da praça à cidade. Entre passado e futuro, a mostra dos 125 anos deixa clara uma ideia: a Palha Blanco não é apenas um edifício. É um lugar de memória, de festa, de pertença e de identidade para gerações de vilafranquenses.

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