A Junta de Freguesia de Alcoentre quer promover uma sessão pública de esclarecimento sobre o projeto do futuro data center da Neoen, considerando que a população continua sem informação suficiente sobre um investimento que poderá transformar profundamente a freguesia. A proposta foi apresentada pelo presidente da Junta, André Silva, durante a última reunião da Câmara Municipal de Azambuja, onde encontrou abertura por parte do executivo, embora com uma diferença de estratégia quanto ao momento em que esse debate deverá acontecer.
Perante o executivo municipal, André Silva afirmou que a população “está assustada” e preocupada com um projeto cuja dimensão contrasta com a escassez de informação atualmente disponível. O autarca recordou que Alcoentre tem vindo, ao longo dos últimos anos, a receber sucessivas grandes infraestruturas, como linhas de muito alta tensão, parques solares e outros equipamentos, considerando que o novo investimento levanta dúvidas legítimas sobre o consumo de água, o ruído, a reduzida criação de emprego permanente e as contrapartidas efetivas para a freguesia.
Segundo explicou, a Junta recebeu, tal como a Câmara Municipal, informação preliminar por parte da promotora, mas considera que as respostas fornecidas foram demasiado genéricas para permitir esclarecer a população. Questões relacionadas com os recursos hídricos, a proximidade às habitações, o impacto do ruído, a empregabilidade ou a articulação com futuras infraestruturas ferroviárias continuam, na sua perspetiva, sem resposta suficientemente concreta.
Por esse motivo, André Silva defendeu a realização de uma sessão pública que reúna a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, a Neoen, entidades ligadas ao abastecimento de água e os habitantes da freguesia, permitindo que a população acompanhe o processo desde a fase inicial. O autarca deixou ainda um aviso: caso a iniciativa não seja promovida pelo município, será a própria Junta de Alcoentre a avançar com a organização do encontro.
A proposta encontrou compreensão por parte do vice-presidente da Câmara Municipal, António José Matos, que reconheceu igualmente que o município dispõe, nesta fase, de informação limitada sobre o projeto. O autarca recordou que foi precisamente essa ausência de elementos técnicos que levou o executivo a emitir parecer desfavorável ao pedido de reconhecimento do projeto como Potencial Interesse Nacional (PIN), sublinhando, contudo, que esse procedimento não corresponde a qualquer autorização para construção.
Apesar de concordar com a necessidade de esclarecer a população, António José Matos entende, porém, que uma sessão pública deverá aguardar pela conclusão dos estudos técnicos indispensáveis, designadamente a Avaliação de Impacte Ambiental, os estudos acústicos e paisagísticos e a restante documentação que permita responder, com rigor, às preocupações dos residentes.
Na intervenção que fez na reunião, o vice-presidente frisou que projetos desta dimensão devem colocar a defesa das populações acima de qualquer interesse económico, lembrando que existem habitações situadas a poucas centenas de metros da área prevista para a implantação da infraestrutura. Referiu ainda que aspetos como o ruído, o consumo de água ou os benefícios concretos para o concelho continuam por esclarecer, considerando que uma discussão pública sem esses elementos acabaria por assentar em meras suposições.
Ainda assim, ambos os autarcas convergiram num ponto essencial: a necessidade de garantir transparência e informação à população ao longo de um processo que continua numa fase preliminar e para o qual permanecem em falta vários estudos considerados decisivos para avaliar os seus impactos ambientais, territoriais e sociais.




