A Ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, confirmou esta noite, em entrevista ao canal NOW, que se mantém o risco associado à Barragem da Retorta, localizada no interior da Torre Bela, no concelho de Azambuja, situação que levou à evacuação preventiva de populações nas imediações.
Segundo a governante, trata-se de uma barragem com cerca de um hectómetro cúbico de capacidade, inserida numa propriedade privada, sendo classificada do ponto de vista técnico como uma pequena barragem, equiparada a uma charca de fins agrícolas. Ainda assim, face às condições meteorológicas adversas e ao risco identificado, foi de imediato solicitado o apoio do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que já realizou uma inspeção no local e mantém a estrutura sob monitorização permanente.
Maria da Graça Carvalho explicou que, apesar de a situação apresentar alguma melhoria, o risco não foi totalmente afastado. Por esse motivo, e por uma lógica de máxima precaução, foi determinada a evacuação preventiva das populações mais próximas da barragem. “Desde que exista um pequeno risco, o mais importante é retirar as pessoas”, afirmou, sublinhando que esta é uma regra essencial na gestão de situações de cheia.
No terreno, a operação de evacuação envolveu os Bombeiros Voluntários de Alcoentre, a GNR e o Serviço Municipal de Proteção Civil, tendo sido retiradas cerca de 30 pessoas das localidades de Póvoa de Manique e Carvalhos, na União das Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa.
Para acolher a população evacuada, foi montada uma Zona de Concentração e Apoio à População no pavilhão dos Bombeiros Voluntários de Alcoentre, onde foram instaladas camas e asseguradas condições de segurança, higiene, alimentação e dormida. No apoio direto às pessoas deslocadas, esteve também no terreno a Cruz Vermelha Portuguesa de Aveiras de Cima, em articulação com os restantes agentes de proteção civil.
A ministra destacou ainda que, ao contrário de situações associadas a vento forte e fenómenos súbitos, as cheias tendem a evoluir de forma mais gradual, permitindo às autoridades ganhar tempo para atuar. “Se a cheia for relativamente lenta, dá-nos margem para retirar as pessoas e reduzir significativamente o grau de risco”, explicou.
A situação na Barragem da Retorta continua a ser acompanhada em permanência, mantendo-se no local os meios técnicos necessários para avaliação da estabilidade da estrutura, enquanto as autoridades reforçam o apelo à população para que respeite as indicações da Proteção Civil.
Dique Instável em Valada no Cartaxo em vigilância
Durante a mesma entrevista, Maria da Graça Carvalho revelou ainda uma situação distinta registada também esta noite na localidade de Valada, no concelho do Cartaxo. Neste caso, não está em causa uma barragem, mas sim um dique, que apresenta sinais de instabilidade.
A ministra esclareceu que não se trata de um risco iminente de colapso, mas de uma situação que exige vigilância e intervenção preventiva. A Proteção Civil e o Exército estão já no terreno a reforçar a estrutura, tendo sido recomendada, por precaução, a retirada da população de Valada.
A informação, segundo a governante, é muito recente e foi transmitida após contacto direto com o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo. “Ao menor sinal de risco, a orientação é retirar as pessoas”, afirmou.
Maria da Graça Carvalho sublinhou ainda que as zonas ribeirinhas do Tejo, nomeadamente as lezírias, são historicamente vulneráveis a cheias, sendo uma das principais preocupações a monitorização dos diques existentes ao longo do rio, muitos deles de natureza agrícola, que podem apresentar fissuras ou instabilidade quando sujeitos a elevados níveis de água.




