As últimas horas em Vila Nova da Rainha têm sido particularmente difíceis, num cenário marcado pela subida dos caudais, pela chuva intensa registada durante a noite e pelo impacto combinado das descargas das barragens espanholas. A Estrada Nacional 3 permanece encerrada desde as 2 da madrugada de ontem, sem previsão de reabertura, numa situação que a vereadora Ana Coelho classifica como preocupante.
Em declarações à Rádio Valor Local, a autarca explicou que o agravamento da situação não se limita a Vila Nova da Rainha, estendendo-se a vários pontos do concelho, embora seja nesta localidade que o impacto se faz sentir de forma mais severa. O elevado caudal do Tejo, aliado à forte contribuição do rio Alenquer e do rio Horta, criou um cenário difícil de controlar, apesar da atuação contínua das entidades no terreno.
Durante a noite, foi necessário retirar algumas pessoas das suas habitações por precaução, tendo sido encaminhadas para instalações da Junta de Freguesia. A vereadora sublinha que estas decisões são tomadas com base numa monitorização constante da evolução da situação, realizada hora a hora, com o apoio da Proteção Civil, forças de segurança e do Exército, que se encontram no terreno.
A força da água provocou ainda um rombo no talude junto à ponte da autoestrada, permitindo que as águas chegassem mais rapidamente à Estrada Nacional 3. Segundo Ana Coelho, essa situação foi entretanto contida e deixou de representar um risco acrescido, embora o contexto geral continue a justificar o encerramento da via por razões de segurança.
Apesar de muitos moradores estarem habituados a episódios de cheias, a vereadora reconhece que o impacto atual é significativo. “É um transtorno enorme para a população, mesmo para quem sempre viveu com esta realidade”, afirmou, sublinhando que, apesar da experiência acumulada ao longo dos anos, nunca se espera uma situação com esta dimensão.
As próximas horas continuam a merecer especial atenção por parte das autoridades. Embora as previsões apontem para uma aberta ao longo do dia, o vento forte e a continuidade das descargas mantêm o cenário de risco elevado. As equipas no terreno estão a reavaliar a situação de 30 em 30 minutos, não estando, para já, prevista qualquer data para a reabertura da Estrada Nacional 3, admitindo-se apenas uma eventual abertura parcial caso existam condições de segurança.
Para além de Vila Nova da Rainha, registam-se ainda constrangimentos noutras zonas do concelho, com a Casa Branca e o Porto da Palha isolados. De acordo com a vereadora, as populações destas localidades estão a ser contactadas diariamente, de manhã e à noite, para garantir que têm acesso a bens essenciais e que não necessitam de apoio adicional. Até ao momento, garante, “as pessoas estão bem e têm tudo o que precisam”.
Nacional 3 cortada em Vila Nova da Rainha
A abertura da Estrada Nacional 3 ao trânsito continua dependente da evolução da situação hidrológica e da avaliação permanente das condições de segurança no local. A via mantém-se encerrada desde as 2h da madrugada de ontem, sendo a sua eventual reabertura analisada pelas entidades no terreno.
Enquanto a EN3 não for devolvida à circulação, o trânsito está a ser desviado por vias alternativas, com impactos significativos na rede viária do concelho. Os veículos ligeiros estão a ser encaminhados por percursos secundários, mas os constrangimentos são particularmente sentidos ao nível do tráfego pesado.
Os veículos pesados, nomeadamente os destinados à zona industrial de Vila Nova da Rainha, estão a ser desviados para Aveiras de Cima, o que tem provocado um aumento substancial do fluxo de trânsito naquela localidade e nas vias de acesso envolventes. As autoridades encontram-se no terreno a apoiar os condutores e a gerir os desvios, procurando minimizar os impactos na mobilidade e garantir condições de segurança.
Para já, não existe previsão para a devolução total da EN3 ao trânsito, estando apenas em cima da mesa a possibilidade de uma abertura parcial caso a situação evolua de forma favorável nas próximas horas.




