A população da aldeia de A-do-Barriga, no concelho de Arruda dos Vinhos, entregou à Câmara Municipal uma petição com 260 assinaturas a reclamar a reposição da ligação rodoviária direta entre Arruda dos Vinhos e Alhandra, passando pela localidade.
A reivindicação foi apresentada em reunião pública descentralizada da Câmara Municipal, realizada em A- do-Barriga, por Vítor Moreira, em nome de um conjunto de moradores. Segundo o munícipe, a ligação não é “uma ideia abstrata”, mas sim um serviço que já existiu e que era assegurado pela empresa Boa Viagem, com 17 carreiras diárias nos dois sentidos.
A supressão da carreira, segundo os peticionários, criou “um vazio significativo” na mobilidade local, com impactos diretos na vida quotidiana dos residentes, trabalhadores e estudantes. A população alerta para o aumento do tempo das deslocações, maiores custos para as famílias, menor acesso a serviços essenciais e dificuldades acrescidas para a população mais idosa.
Supressão da carreira levou a que muitos tivessem de optar pelo transporte próprio
Na intervenção, foi sublinhado que Alhandra é um ponto estratégico de ligação, sobretudo pela proximidade à linha ferroviária, o que reforça a importância desta conexão para a mobilidade regional. Os moradores defendem que a falta desta carreira obriga muitos cidadãos a recorrer ao transporte individual, contrariando também objetivos ambientais e de redução de emissões.
A petição será remetida à Comunidade Intermunicipal do Oeste, à Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa, à Área Metropolitana de Lisboa e ao Provedor de Justiça, com o objetivo de envolver as entidades com responsabilidade nesta matéria.
Câmara já desenvolveu contactos com a Oestecim e Boa Viagem
O presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, Carlos Alves, mostrou solidariedade com a reivindicação e recordou que o executivo também subscreveu a petição. “O que está aqui em causa é esta supressão e o que urge é precisamente a reposição desta carreira”, afirmou, referindo-se à antiga carreira 43.
O autarca garantiu que a Câmara tem feito contactos com a Boa Viagem e com a Comunidade Intermunicipal do Oeste, onde o município tem assento, para tentar encontrar uma solução. Considerou ainda que as 260 assinaturas dão maior força à reivindicação, por demonstrarem que não se trata de uma queixa isolada, mas de uma necessidade sentida por toda uma comunidade.
Durante a reunião, outros moradores reforçaram as dificuldades sentidas, em especial pela população sénior. Foi dado o exemplo de pessoas sem carro que enfrentam obstáculos para se deslocarem ao centro de saúde, à mercearia ou a outros serviços básicos.
O presidente admitiu que a resposta dos operadores privados é muitas vezes condicionada pela rentabilidade financeira das carreiras, mas apontou duas soluções em estudo: a criação de um operador interno no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Oeste e o transporte a pedido, destinado a situações pontuais, como consultas médicas ou deslocações essenciais.
Para o autarca, o transporte a pedido pode ser uma resposta mais eficaz para comunidades de menor dimensão, como aldeia de A-do-Barriga, onde nem sempre é viável criar carreiras regulares para todos os horários e necessidades.
A população, contudo, reclama uma solução célere para um problema que considera urgente e que, segundo os peticionários, não diz respeito apenas à mobilidade, mas também à qualidade de vida, à coesão territorial, à sustentabilidade e à justiça para as populações.




