O cavaleiro tauromáquico azambujense Paulo Jorge Ferreira prepara-se para colocar um ponto final na carreira nas arenas da Califórnia, onde construiu grande parte do seu percurso profissional e vive há largos anos. A despedida está anunciada para esta segunda-feira, 14 de setembro, em Gustine, numa noite que encerra uma longa ligação à tauromaquia da comunidade portuguesa naquele estado norte-americano.
É também o fechar de um ciclo que o próprio cavaleiro antecipava, embora para mais tarde, numa entrevista concedida ao Valor Local em janeiro de 2019. Na altura, Paulo Jorge Ferreira acabara de renovar por mais dez anos o contrato com a Coudelaria de Jorge Martins e previa permanecer na Califórnia até 2029.
Apesar da estabilidade profissional alcançada nos Estados Unidos, já então admitia que o regresso a Portugal poderia acontecer antes do final desse contrato. “A minha vontade é regressar à minha terra, pois ano após ano torna-se mais difícil aguentar as saudades com o passar do tempo”, confessava ao Valor Local.
Sete anos depois, a despedida das arenas acaba por chegar antes da data que então colocava como horizonte para o fim da carreira.
Quando falou ao nosso jornal, Paulo Jorge Ferreira vivia há cerca de uma década na Califórnia e atravessava um período particularmente positivo. Além da atividade tauromáquica e do trabalho desenvolvido na Coudelaria de Jorge Martins, preparava-se para uma experiência completamente diferente: participar na ópera “Carmen”, de Georges Bizet, no Teatro Gallo, em Modesto.
O convite tinha partido de Roy Stevens, responsável pelo espetáculo, que lhe propôs representar a tauromaquia em palco, montado a cavalo. Paulo Jorge Ferreira aceitou e preparou uma demonstração de alta escola, numa experiência inédita na sua carreira.
“Acima de tudo vou tratar de dignificar e elevar um pouco mais alto a nossa tauromaquia”, afirmou então ao Valor Local. Era a primeira vez que participava numa produção teatral e também a primeira vez que entrava com um cavalo em palco.
A experiência ilustrava uma carreira que, na Califórnia, ultrapassou as arenas. Paulo Jorge Ferreira desenvolveu durante anos trabalho ligado aos cavalos e à coudelaria, destacando em 2019 o momento vivido pela estrutura de Jorge Martins, que no ano anterior tinha vendido três cavalos ao consagrado cavaleiro Pablo Hermoso de Mendoza.
Falava então dos anos de trabalho e “também de algum sacrifício”, mas considerava-se recompensado pelas oportunidades que tinha encontrado nos Estados Unidos.
Agora chega o momento que nessa altura ainda parecia distante.
A despedida está anunciada para a Praça de Touros de Gustine, na Califórnia, às 19h00 locais desta segunda-feira. O cartaz apresenta a ocasião como “uma noite histórica” e “uma despedida inesquecível”, colocando Paulo Jorge Ferreira no centro de uma última celebração tauromáquica perante o público da Califórnia.
Para Azambuja, a despedida tem um significado particular. É dali que parte uma parte importante da identidade de Paulo Jorge Ferreira e era para “a minha terra” que o cavaleiro confessava querer regressar quando o Valor Local o entrevistou em 2019.
Na altura pensava ainda continuar a tourear até 2029. A história acabou por andar mais depressa.
Esta segunda-feira, do outro lado do Atlântico, Paulo Jorge Ferreira despede-se das arenas. E uma frase dita sete anos antes ao Valor Local ganha agora outro significado: com o passar dos anos, as saudades de casa estavam a tornar-se cada vez mais difíceis de aguentar.




