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Radar Social: Alunos de Vila Franca de Xira identificaram casos sociais em duas semanas

No espaço de apenas 15 dias, foram identificados três casos de vulnerabilidade social no concelho de Vila Franca de Xira no âmbito do projeto Radar Social. Um resultado que evidencia o envolvimento dos alunos do ensino secundário e o impacto imediato das ações de sensibilização promovidas pela autarquia.

Os jovens estão a responder ao desafio lançado pela Câmara Municipal e a assumir um papel que vai além do espaço escolar. Ao serem sensibilizados para a identificação de situações de fragilidade social, tornam-se parte de uma rede de proximidade que procura garantir que ninguém fica para trás.

“Depois da primeira sessão já tivemos mais de três novas referenciações, o que mostra que isto, pouco a pouco, está a surtir os seus frutos”, sublinha a vereadora Manuela Ralha, destacando o impacto direto das sessões junto da comunidade escolar.

A iniciativa prevê a realização de 15 sessões durante os meses de abril e maio, abrangendo cerca de 950 alunos do 12.º ano das seis escolas secundárias do concelho. Mais do que explicar o funcionamento do projeto, o objetivo passa por despertar uma consciência social ativa e participativa.

“A ideia é criar cidadãos conscientes e ativos, cidadãos preocupados, solidários, no fundo semear a semente da solidariedade”, afirma a autarca ao Valor Local, acrescentando que se pretende “despertar um olhar mais atento para aqueles que estão ao seu lado, sejam colegas, vizinhos ou pessoas que encontram no dia a dia”.

Radar Social pretende identificar situações de vulnerabilidade social não sinalizadas pelos serviços municipais

O projeto Radar Social, aprovado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, tem como missão identificar e acompanhar pessoas em situação de vulnerabilidade que não estejam devidamente sinalizadas pelos serviços. A particularidade deste modelo reside no facto de a sinalização poder ser feita por qualquer cidadão, através de uma ficha própria disponível nas Lojas do Munícipe e no site da autarquia.

“É um exercício de cidadania. Qualquer pessoa pode identificar uma situação de dificuldade, mesmo que seja temporária, e sinalizá-la. A partir daí, os serviços entram em contacto e fazem uma visita domiciliária para avaliar e acompanhar”, explica Manuela Ralha.

Esta abordagem tem raízes num trabalho já desenvolvido anteriormente no concelho. Antes do Radar Social, o município implementou o programa Pontes, focado na georreferenciação de idosos e pessoas com deficiência em situação de isolamento, permitindo um acompanhamento mais próximo e estruturado.

“Nós já tínhamos este hábito de georreferenciar e acompanhar pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, refere a vereadora, acrescentando que a experiência local poderá ter estado na origem do modelo agora aplicado a nível nacional. “Quando a então ministra Ana Mendes Godinho visitou o concelho e conheceu o projeto Pontes, acreditamos que essa realidade possa ter servido de base e inspiração para o desenvolvimento do Radar Social”, sublinha.

Com o recurso a plataformas de georreferenciação, o município consegue não só acompanhar casos individuais, mas também identificar padrões e zonas de maior fragilidade social. “Temos dados sobre tipologias de vulnerabilidade, número de processos e zonas mais sensíveis. Isso permite-nos agir de forma mais eficaz e direcionada”, acrescenta.

Ao levar o projeto às escolas, a autarquia procura alargar este olhar à comunidade mais jovem, incentivando os alunos a reconhecer sinais de dificuldade à sua volta e a agir em conformidade. “Queremos que eles percebam que podem fazer a diferença. Não podem mudar o mundo inteiro, mas podemos mudar o mundo de alguém”, sublinha.

Contrariando a ideia de que os jovens estão desligados das questões sociais, Manuela Ralha garante que a realidade é diferente. “Temos uma geração muito preocupada com os outros, com o ambiente, com a liberdade, com a democracia e com os direitos humanos. O que queremos é potenciar essa disponibilidade e transformá-la em cidadania ativa”, afirma.

As ações dirigem-se a alunos do 12.º ano, numa fase decisiva de transição para novas etapas, que a autarquia considera estratégica para reforçar o sentido de responsabilidade social e participação cívica. “São jovens que já têm uma consciência social mais formada e que estão prestes a entrar numa nova fase das suas vidas. Queremos que levem consigo esta preocupação e esta capacidade de olhar para o outro”, explica.

Com esta iniciativa, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira reforça uma estratégia de intervenção social assente na proximidade, na prevenção e na resposta atempada, procurando garantir que nenhuma situação de vulnerabilidade fique por identificar.

Mais do que um projeto técnico, o Radar Social assume-se como uma ferramenta de mobilização comunitária, onde cada cidadão pode desempenhar um papel ativo na construção de uma sociedade mais atenta, solidária e coesa.

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