Três famílias receberam as chaves das suas novas habitações municipais, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Vila Franca de Xira, numa cerimónia que teve lugar no passado dia 18 de setembro no âmbito do Programa 1.º Direito, criado para apoiar quem vive em situação de carência económica e habitacional.
Foram entregues três frações independentes T0 localizadas na Avenida Pedro Víctor, que significaram um investimento superior a 300 mil euros. As habitações foram reabilitadas no âmbito da Estratégia Local de Habitação do município e financiadas através do Programa 1.º Direito – Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, integrado no Plano de Recuperação e Resiliência.
Ao abrigo deste programa, a Câmara Municipal reabilitou imóveis que pertenciam tanto à autarquia como ao Estado e que se encontravam devolutos ou em ruínas nos centros urbanos. “Neste caso o edifício foi totalmente reabilitado. A nossa aposta passa por dar o exemplo, e ir além do simples facto de pedir aos privados para que façam a reabilitação dos imóveis”, começa por explicar o presidente da Câmara Municipal, Fernando Paulo Ferreira. O objetivo passa por levar mais moradores para os centros urbanos para que possam voltar a ser habitados e “trazer-se assim mais pessoas ao núcleo central das cidades”.

Uma das pessoas a receber a chave da sua habitação foi Maria Pina, que contou ao Valor Local ter esperado mais de 20 anos para ter a sua primeira casa. “Todas as vezes que existiam concursos municipais, participei, mas nunca fui selecionada. Ainda assim, também nunca desisti”, começa por contar.
Maria veio para Portugal quando o seu filho, ainda pequeno na altura, partiu o fémur. “Foi ele quem me fez ficar, senão tinha voltado para a Guiné.” Nos primeiros meses em Portugal, Maria viveu com a prima, no entanto quando regressou para a Guiné-Bissau para trazer os restantes filhos, precisou de encontrar um novo local onde morar.
Nessa altura, Maria encontrou uma casa abandonada em Arcena, até que, uns anos mais tarde, descobriu que tinha dono. “O dono levou-nos a tribunal. Naturalmente, tive de sair”, continua. A partir desse momento, no final da década de 90 e começo dos anos 2000, Maria continuou a morar em diferentes casas de familiares.
Nunca conseguiu ter casa própria, porque apesar de trabalhar não reunia as condições financeiras suficientes. Agora aos 67 anos, tem finalmente essa oportunidade, que não deixa de ter um sabor agridoce. “Sinto-me bem, valeu a pena esperar. Mas confesso que estou triste porque vou deixar de estar perto da minha neta de 5 anos. Somos muito apegadas.” As casas trazem consigo algumas regras que devem ser cumpridas e tudo é explicado antes da visita à casa. “Esta é a primeira vez que estou a ver a casa, agora é arranjar mobília e pensar como colocar tudo.”
No entanto, esta não é a única solução do município para mitigar a crise da habitação em Vila Franca de Xira. “Outras medidas passam por reabilitar bairros sociais e dar-lhes outras condições e as casas que, entretanto, ficam vazias, serem entregues a famílias. Neste contexto, desde o começo do mandato já foram concedidas cerca de 100 casas”, salienta Fernando Paulo Ferreira.
Nesse sentido, o presidente explicou ainda que também já levou à reunião de Câmara a abertura do concurso para reabilitar totalmente o bairro dos avieiros. A par destas medidas, a autarquia pretende desenvolver, em articulação com privados, novas soluções habitacionais para a classe média e os jovens, sobretudo na zona sul do concelho.
Entre essas soluções estão projetos de co-living, um modelo que prevê habitações de menor dimensão complementadas com espaços e serviços partilhados, como ginásio e zonas de trabalho. “São novas formas de estar adequadas às novas gerações e nómadas digitais.” Esta é uma novidade já conhecida em países como Estados Unidos da América e Reino Unido, e em breve estará também em Vila Franca de Xira.
No entanto, até ao final do ano a prioridade é avançar com as entregas de casas do Programa 1.º Direito, como tal “está a ser concluído um conjunto de obras, sobretudo em zonas antigas nas nossas vilas”, conclui.




