A escola primária de Aldeia Gavinha foi interditada após se confirmar que o edifício se encontra inserido numa massa de terra de grande dimensão que está em deslocação, colocando em risco a segurança da comunidade escolar e também de habitações particulares vizinhas.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Alenquer, João Nicolau, a situação foi sendo acompanhada ao longo dos últimos dias, à medida que as condições climatéricas agravaram a instabilidade do terreno. A movimentação de terras revelou-se progressiva, levando mesmo a que o edifício escolar se esteja a mover lentamente, o que obrigou à interdição imediata da escola por razões de segurança.

O autarca explicou que será necessária uma avaliação técnica profunda ao estado do edifício e do terreno envolvente, a realizar apenas quando as condições do solo o permitirem, de modo a apurar a extensão dos danos e a possibilidade de recuperação da escola após o temporal.
A escola encontrava-se em funcionamento regular, acolhendo cerca de 40 crianças, distribuídas por duas salas. Com o encerramento do edifício, os alunos foram encaminhados para a escola de Vila Verde dos Francos, pertencente ao mesmo agrupamento escolar, garantindo-se a continuidade das atividades letivas. O transporte das crianças está a ser assegurado pelo município, procurando minimizar o impacto da mudança na rotina das famílias.
A situação da escola de Aldeia Gavinha surge no contexto de um conjunto alargado de ocorrências registadas no concelho de Alenquer, na sequência das recentes intempéries.
Balanço do município aponta para pessoas deslocadas e vias interrompidas
No ponto de situação feito pelo presidente da Câmara Municipal de Alenquer, João Nicolau, foi confirmado que, neste momento, não existe risco de cheia no centro da vila, uma vez que o nível do rio baixou. No entanto, os efeitos das tempestades continuam a fazer-se sentir de forma significativa em vários pontos do concelho.
Entre as situações mais preocupantes está o corte da Estrada Nacional 9, devido a um grande aluimento de terras, cuja resolução deverá prolongar-se no tempo. Existem ainda várias estradas municipais condicionadas por abatimentos de piso, deslizamentos de terras e quedas de árvores, dificultando a circulação em diferentes zonas do concelho.
O autarca confirmou que existem atualmente sete pessoas deslocadas e duas pessoas desalojadas, por as suas habitações apresentarem risco de queda. Estas situações estão a ser acompanhadas de forma permanente pelos serviços municipais, com algumas pessoas acolhidas em soluções disponibilizadas pelo município e outras em casas de familiares.
O município ativou o Plano Municipal de Emergência, realizando reuniões diárias de coordenação entre os vários serviços, incluindo a ação social. Está igualmente preparado um ponto de acolhimento e apoio à população no pavilhão municipal, com camas e mantimentos, embora, até ao momento, não tenha sido necessário ativar essa estrutura.
Ao nível dos acessos, mantém-se interrompida a ligação a Alenquer pela Nacional 9, a partir de Torres Vedras, na zona da Mata. Apesar disso, continuam a existir alternativas através das estradas municipais e nacionais, nomeadamente pelos acessos do Alto Concelho, pela zona de Aldeia Gavinha, por Ribafria, Olhalvo ou pela ligação à Estrada Nacional 1, na zona de Abrigada, ainda que em condições de circulação condicionadas.
João Nicolau reconheceu também o desgaste acumulado dos operacionais da proteção civil, após vários dias consecutivos a responder a fenómenos meteorológicos adversos. A noite anterior foi descrita como particularmente exigente, com vigilância permanente devido ao risco elevado de inundação no centro da vila. Apesar de o pior cenário ter sido afastado, continuam a surgir novas ocorrências ao longo das horas, exigindo acompanhamento contínuo e resposta rápida das equipas no terreno.




