A Associação Humanitária Resgate Emergência de Portugal nasceu a 15 de junho de 2025 e tem apenas um objetivo em mente: ajudar quem mais precisa em situações de emergência. Para compreender melhor este projeto, o Valor Local falou com o vice-presidente da associação e comandante nacional, Manuel Morgado.
“Esta é uma associação fundada por operacionais, que estão no ativo ou não. A maioria é oriunda dos bombeiros, da Cruz Vermelha e de várias outras instituições”, começa por contar o comandante, de 63 anos.
Manuel Morgado iniciou o seu percurso aos 14 anos, como bombeiro, e manteve-se como voluntário até 2004, ano em que passou a integrar o quadro de honra dos bombeiros. “Das 6 às 20 horas era talhante e, a partir das 21 horas, era bombeiro”, recorda.
Ao longo do seu percurso, esteve próximo dos grandes incêndios de 2003, onde chegou a ficar cercado pelo fogo, e prestou apoio a peregrinos nas suas deslocações. Um trabalho que o marcou. “Tratava as feridas e aconselhava a pararem um pouco, quando até nem queriam. O objetivo era chegar a Fátima e foi emocionante acompanhar a persistência das pessoas.”
Apesar de ter deixado os bombeiros, Manuel Morgado manteve-se sempre ativo. Desde então, esteve ligado a várias associações, até criar o seu próprio projeto. A ideia surgiu ao acompanhar os incêndios que se fazem sentir todos os verões. “Estávamos em casa, a ver a situação pela televisão, e mesmo assim verificávamos várias falhas no acompanhamento de quem precisa”, salienta.
Só depois de várias conversas com colegas e amigos de profissão surgiu a ideia de criar uma associação que atuasse precisamente nessas falhas.
“Há uma série de situações onde podemos ajudar, desde o acompanhamento de idosos à preparação da população antes da chegada das autoridades, encaminhando as pessoas para os locais certos. As falhas existem sempre, mas podemos tentar mitigá-las.”
As equipas da Associação Humanitária Resgate Emergência de Portugal estão cada vez mais completas e contam com forças de segurança, operadores de drones, socorristas, técnicos de ação social e muitas outras especialidades. “Todos fazem falta e são sempre bem-vindos.”
Desde então, a associação, que começou em Salvaterra de Magos, já se expandiu a nível nacional, com três delegações pelo país: no norte, que atua na zona acima de Coimbra; no centro, que engloba desde Coimbra até Vila Franca de Xira; e no sul, desde Setúbal ao Algarve. Ao todo, a equipa já conta com mais de 100 operacionais no terreno.
Agora, na sequência das cheias e inundações que afetaram o território nacional, devido às várias tempestades que ocorreram entre janeiro e fevereiro, surgiu uma nova oportunidade: começar a atuar no Luxemburgo.
Portugueses afetados pelas tempestades vão receber apoio do Luxemburgo
“Cheguei lá a 26 de janeiro e, pouco depois, a situação começou a piorar em Portugal. Há uma forte sensação de comunidade no Luxemburgo e vários camaradas decidiram começar a juntar materiais para que pudéssemos ajudar as pessoas”, conta. “Tivemos uma adesão fenomenal e, aos poucos, pretendemos levar tudo o que formos angariando e garantir que chega a quem mais precisa.”
Por lá foi angariado um pouco de tudo, desde material hospitalar, como camas e cadeiras, a bens essenciais, roupas e até brinquedos. O material deverá chegar a Portugal a partir de 2 de abril.
No entanto, existem outras campanhas para quem quiser participar. A mais recente está no terreno desde 16 de março e decorre até 27 de abril, com recolha de bens essenciais. Esta ação é desenvolvida em conjunto com a Cáritas de Castanheira do Ribatejo.
Todos os donativos são aceites, sendo dada prioridade a arroz, massas, açúcar, óleo alimentar, enlatados, pasta de dentes, sabonetes, géis de banho e azeite.
A recolha pode ser feita na Tomé&Lopes Eletrodomésticos, Supermercado Amanhecer, Alex Martins Contalfa, Centro Paroquial do Vale do Carregado – Casa de São José, Bar da ACRL e no snack-bar Sabores do Convento. Mais informações estão disponíveis no site da Associação Humanitária Resgate Emergência de Portugal.




