O aterro dos antigos lavadouros de Alpriate está a gerar indignação entre moradores da localidade, na freguesia de Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira, que denunciam a descaracterização de um espaço considerado parte da memória coletiva da população. A situação levou já a pedidos de esclarecimento à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e à Junta de Freguesia de Vialonga, sem que, até ao momento, tenham sido prestadas respostas públicas concretas.
Os antigos lavadouros, ligados historicamente à Quinta do Duque e ao legado do Coronel Artur Leal Lobo da Costa, terão sido aterrados recentemente com terras e entulho. Segundo Helena Delgado, moradora em Alpriate, o processo começou depois de um habitante da localidade ter pedido autorização à Junta de Freguesia para “dar um jeito” no espaço. No entanto, o que inicialmente seria uma limpeza acabou por resultar no aterro quase total da estrutura.
“Já não se vê os lavadouros, nada, zero. Está tudo aterrado”, lamentou Helena Delgado, moradora em Alpriate e eleita do Chega na assembleia de freguesia de Vialonga, em declarações ao Valor Local, considerando que o espaço “podia ter sido preservado, limpo ou reconstruído”, mas nunca destruído. A moradora refere ainda que o local integrava outros elementos patrimoniais associados à antiga estrutura, como um poço e uma bomba de transporte de água, entretanto removida.
A população diz-se revoltada com a situação. “As pessoas estão muito chateadas mesmo, indignadas”, refere Helena Delgado, acrescentando que vários habitantes lhe têm pedido para insistir junto das entidades competentes. “Nós queremos os lavadouros desenterrados. Já que não são arranjados, pelo menos que fiquem como estavam”, sublinha.
O caso chegou mesmo à Assembleia de Freguesia de Vialonga realizada a 23 de abril, através de intervenção do Chega, mas sem resultados práticos conhecidos. Segundo a denúncia enviada às entidades e ao Valor Local, terá sido referido pelo presidente da Junta que saberia quem foi o autor do aterro, embora sem avançar mais detalhes.
Contactado pelo Valor Local, o presidente da Junta de Freguesia de Vialonga, João Tremoço, confirmou que falou com a pessoa responsável pelo aterro e garantiu que o autor da intervenção se mostrou disponível para repor parcialmente a situação inicial. “Hoje passei por lá e já dois tanques estão destapados”, afirmou, acrescentando que o processo de remoção das terras “vai demorar algum tempo”.
João Tremoço admite que o morador terá agido na sequência de pequenas obras particulares e que terá entendido estar a resolver um problema num local onde existiam depósitos ilegais de lixo e óleo queimado. “Ele achou por bem aterrar aquilo”, explicou o autarca, garantindo que irá acompanhar os trabalhos para evitar exageros e assegurar que a situação fique “minimamente em condições”.
Apesar disso, continuam por esclarecer várias questões, nomeadamente se existiu alguma autorização formal para o aterro, qual o enquadramento legal da intervenção e porque não houve uma ação preventiva por parte das entidades públicas responsáveis pela proteção daquele espaço. Os moradores criticam igualmente a ausência de respostas da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, para onde já seguiram pedidos formais de esclarecimento.
Os lavadouros deixaram de ser utilizados regularmente após a pandemia, numa altura em que a zona envolvente entrou também em degradação. Segundo os moradores, o parque adjacente chegou a ser alvo de obras, mas o projeto nunca terá sido concluído, permanecendo estruturas por finalizar e o acesso condicionado.




