A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) lançou um concurso público para a criação da Rede de Bicicletários navegante, um projeto que prevê, numa primeira fase, a instalação de 57 parques seguros para bicicletas em interfaces de transporte da Área Metropolitana de Lisboa (AML). O investimento tem um preço base de 1,36 milhões de euros e pretende incentivar a utilização combinada da bicicleta e do transporte público.
O concurso abrange o fornecimento, instalação, parametrização e manutenção dos bicicletários, bem como o desenvolvimento do sistema de controlo de acessos e monitorização da rede. As novas estruturas serão modulares e de acesso condicionado, permitindo aos utilizadores estacionar a bicicleta pessoal em segurança antes de prosseguirem viagem em transporte público. Os clientes com passe navegante válido poderão utilizar o serviço gratuitamente, através de um sistema com regras uniformes em toda a Área Metropolitana de Lisboa.
Segundo a TML, o projeto procura responder à falta de estacionamento seguro nas interfaces de transporte, considerada uma das principais barreiras à utilização diária da bicicleta. A empresa acredita que a nova rede poderá reduzir a dependência do automóvel e incentivar cadeias de mobilidade mais sustentáveis.
A criação dos bicicletários permitirá também aumentar a área de influência das interfaces de transporte. Enquanto as deslocações a pé abrangem, em média, um raio de cerca de 1,5 quilómetros, a bicicleta pode alargar esse alcance para entre cinco e oito quilómetros, facilitando o acesso ao transporte público por um maior número de pessoas. A rede será distribuída pelos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, garantindo que todos os concelhos disponham de, pelo menos, um bicicletário.
As localizações foram definidas após a análise das 263 interfaces identificadas no Plano Metropolitano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMMUS), tendo sido considerados fatores como a proximidade à rede ciclável existente e prevista, a procura de cada interface e a oferta de transporte público. A escolha final foi feita em articulação com os municípios e com a Infraestruturas de Portugal.
A TML refere que a nova rede complementa os sistemas de bicicletas públicas já existentes, destinando-se sobretudo aos utilizadores que pretendem combinar a utilização da sua bicicleta com o transporte público. A integração com o passe navegante deverá facilitar, no futuro, cadeias de mobilidade mais simples e sustentáveis.
O projeto integra as medidas previstas no Plano Metropolitano de Mobilidade Urbana Sustentável da Área Metropolitana de Lisboa e dá continuidade à experiência-piloto realizada em 2021 na Interface de Transportes de Setúbal, no âmbito do projeto europeu Smarthubs, financiado pela União Europeia.
O investimento será assegurado pela TML, em parceria com a Infraestruturas de Portugal e os municípios envolvidos, estando igualmente prevista uma candidatura a financiamento através do Portugal 2030.




