O Clube Náutico de Azambuja, um dos operadores do barco Vala Real, está a reforçar a aposta na dinamização de passeios turísticos no rio Tejo, procurando aproximar a vila da sua frente ribeirinha e valorizar o património natural do estuário. Numa viagem realizada pelo Valor Local ao longo da Rota dos Mouchões, a coletividade deu a conhecer um percurso que permite descobrir a biodiversidade do estuário, a história dos mouchões e algumas das tradições ligadas ao rio.
Para o Clube Náutico de Azambuja, a participação neste projeto representa um passo importante para devolver o Tejo ao quotidiano da população. “Fazia todo o sentido trabalharmos também com o barco da Câmara. Os passeios anteriormente não vinham à vila e nós tentamos sempre trazer o barco o máximo de vezes possível ao cais do Esteiro. Para nós é uma enorme alegria vê-lo aqui atracado”, refere Rui Lopes, da direção do clube.
A coletividade investiu na criação de uma oferta dirigida não apenas a grupos organizados, mas também a casais e famílias, através de um calendário de passeios previamente agendados. Segundo o responsável, o barco parte nas datas marcadas independentemente do número de participantes. “Temos a lotação máxima de 18 pessoas, mas não estabelecemos um número mínimo. O barco está reservado para aquele dia, tenha uma pessoa ou esteja completo”, explica.






Outra das apostas passa pela valorização da gastronomia local. Durante o percurso, os passageiros podem provar um conjunto de produtos tradicionais do concelho, entre os quais queijos, mel, broas de mel, ferraduras, enchidos e vinhos de produtores locais.”O objetivo é criar uma experiência completa, dando a conhecer alguns dos melhores produtos da nossa terra”, sublinha.
A ligação entre o Clube Náutico e o Bar do Esteiro surgiu na sequência de um convite do Município de Azambuja. Apesar das reservas iniciais, motivadas pela responsabilidade de dinamizar um espaço que durante anos teve dificuldades em encontrar um operador, a direção acabou por aceitar o desafio.
Em simultâneo, o município disponibilizou ao clube um espaço com cerca de 70 metros quadrados para guardar os cerca de duas dezenas de caiaques pertencentes aos seus associados. Durante os passeios, os visitantes são acompanhados por João Coelho, guia do Município de Azambuja, que explica a formação dos oito mouchões existentes nesta zona do Tejo, a fauna e a flora do estuário e episódios da história local, como a utilização do Mouchão da Casa Branca para a criação de cavalos lusitanos em regime semisselvagem.
A crescente procura pelos passeios coincide com a valorização do Esteiro de Azambuja, depois das intervenções de desassoreamento e limpeza realizadas nos últimos anos e da realização de iniciativas como o Esteiro Aqua Race.
Mais do que uma simples viagem fluvial, a Rota dos Mouchões pretende afirmar-se como uma experiência de natureza, cultura e identidade local, convidando residentes e visitantes a redescobrirem a ligação histórica de Azambuja ao rio Tejo.




