Apesar de, há cerca de um ano, ter sido anunciada a resolução do problema, o Centro de Saúde de Azambuja continua sem um sistema de climatização adequado, obrigando utentes e profissionais a enfrentar, uma vez mais, as elevadas temperaturas registadas durante o verão.
Recorde-se que, em julho de 2025, o Valor Local deu conta das dificuldades sentidas na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Azambuja, onde idosos aguardavam pela sua consulta em salas sem climatização e trabalhadores descreviam as condições como “insuportáveis”. Na altura, o Município explicava que a instalação do sistema AVAC tinha sofrido um revés devido a problemas no processo de certificação, atrasando a empreitada inicialmente prevista para 2024. Um ano depois, o problema mantém-se por resolver.
Em entrevista ao Valor Local, a vereadora com o pelouro da Saúde, Ana Coelho, reconhece que a intervenção é mais complexa do que inicialmente previsto. Segundo explica, os estudos técnicos entretanto realizados apontam para um investimento na ordem dos 800 mil euros, valor bastante superior aos cerca de 300 mil euros inicialmente previstos em PRR, aquando da transferência de competências na área da Saúde. Atualmente, o município revebe cerca de 500 mil euros anuais do Estado para manutenção das unidades de saúde do concelho, verba que inclui os vencimentos dos assistentes operacionais.
A autarca garante, contudo, que o município continua empenhado em encontrar uma solução, sublinhando que o conforto térmico dos utentes e dos profissionais constitui uma prioridade, sobretudo durante os períodos de temperaturas extremas.
Também Armando Martins, do Movimento Cívico Pela Saúde em Azambuja, lamenta que a situação permaneça sem resolução. O dirigente considera incompreensível que uma unidade de saúde continue a funcionar sem condições adequadas de climatização, lembrando que as elevadas temperaturas afetam não apenas quem aguarda atendimento, mas também os profissionais que ali trabalham diariamente.
Na sua perspetiva, a instalação do sistema AVAC deveria assumir caráter prioritário, atendendo ao impacto direto que tem na qualidade dos cuidados prestados e nas condições de trabalho das equipas de saúde. Nesse sentido, aponta o dedo ao município que na sua opinião não consegue ter desenvoltura para resolver um problema tão premente como este.
Enquanto a obra continua por concretizar, utentes e funcionários voltam a enfrentar mais um verão marcado pelo calor dentro daquela que é a principal unidade de cuidados de saúde do concelho.




