Um novo parto realizado dentro de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Benavente volta a chamar a atenção para as consequências dos constrangimentos nas urgências de Ginecologia e Obstetrícia da região.
A situação volta a colocar em evidência as dificuldades provocadas pelos constrangimentos no funcionamento das urgências de obstetrícia da região. Benavente fica a cerca de 20 quilómetros do Hospital de Vila Franca de Xira, uma viagem de aproximadamente 15 minutos. Quando esta resposta não está disponível, as alternativas ficam consideravelmente mais longe: cerca de 54 quilómetros até Loures ou 46 quilómetros até Santarém.
Em declarações à CMTV, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Benavente, José Nepomuceno, admite que os partos em ambulância poderão tornar-se mais frequentes perante estas distâncias. “Estamos a falar de um agravamento de mais de meia hora”, salientou, lembrando que a corporação já realizou dois partos dentro das suas ambulâncias desde o início do ano.
Neste caso, o alerta chegou aos bombeiros entre as 8h30 e as 9h00 para uma situação de trabalho de parto na vila de Benavente. À chegada ao local, foram avaliados os sinais vitais da grávida, que se encontravam normais, tendo a ocorrência contado também com o apoio da VMER de Vila Franca de Xira.
A avaliação feita naquele momento não apontava para um nascimento iminente. Não tinha ocorrido rutura da bolsa e as contrações não eram suficientemente próximas para fazer prever que o parto aconteceria pouco depois.
Com Vila Franca de Xira e Santarém sem urgência de Ginecologia e Obstetrícia disponível, foi determinado o transporte da grávida para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
Já na A9, ao quilómetro 39, o quadro alterou-se. As contrações tornaram-se mais fortes e frequentes e a grávida voltou a ser avaliada por um dos socorristas. Perante a rápida evolução do trabalho de parto, a equipa decidiu parar a ambulância para prestar assistência.
A bebé acabou por nascer ali mesmo. “Correu bem. Felizmente, para a mãe também correu tudo bem”, relatou José Nepomuceno. A equipa recebeu posteriormente o apoio da VMER de Loures, tendo mãe e bebé sido encaminhadas para o hospital.
Para um dos bombeiros envolvidos, foi a primeira vez que teve de realizar um parto. O comandante conta que a ocorrência foi naturalmente recebida com satisfação no quartel, embora sublinhe a enorme responsabilidade que recai sobre os operacionais nestas situações.
Os bombeiros possuem formação para prestar assistência a um parto, mas José Nepomuceno lembra que uma ambulância está longe de oferecer as condições existentes numa maternidade. “As condições dentro destas viaturas não são as ideais”, afirmou, destacando o espaço confinado e a diferença entre prestar assistência dentro de uma ambulância e realizar um parto numa unidade hospitalar com uma equipa médica.
Apesar do desfecho feliz desta ocorrência, o comandante não esconde a preocupação com a possibilidade de situações semelhantes se repetirem. Com Vila Franca de Xira indisponível em determinados períodos e as restantes respostas a dezenas de quilómetros de distância, o tempo adicional de transporte aumenta a possibilidade de os bombeiros voltarem a ser confrontados com partos em plena viagem.




