As Festas em Honra de Nossa Senhora da Salvação voltam a transformar Arruda dos Vinhos no grande ponto de encontro do concelho. Até 18 de agosto, religião, música, cultura popular, tertúlias e tradição tauromáquica cruzam-se numa celebração com cerca de cinco séculos de história e que, segundo o presidente da Câmara, Carlos Alves, continua a funcionar como um importante elemento agregador da comunidade.
Em entrevista ao Valor Local, durante uma emissão em direto a partir das festas, o autarca destacou precisamente as várias dimensões dos festejos. O programa começa com a componente religiosa e as novenas e vai ganhando outras vertentes ao longo dos dias, da música à etnografia e à tauromaquia. Carlos Alves considera esta última uma componente importante da identidade local, transmitida entre gerações e já integrada no “ADN do que é ser arrudense”.
Para o presidente da Câmara, a passagem do tempo não retirou sentido à celebração. Pelo contrário. Carlos Alves recorda uma história com cerca de 500 anos e uma participação crescente da sociedade civil, considerando que as festas mantêm uma capacidade de agregação que poucos outros acontecimentos conseguem alcançar no concelho.
Há também uma forte dimensão emocional. Muitos arrudenses que vivem fora fazem coincidir as férias com esta época para regressarem à terra, reverem amigos de infância e participarem nas festas. Para Carlos Alves, é este encontro e reencontro, para além da fé e da religiosidade, que ajuda a explicar a importância que Nossa Senhora da Salvação continua a ter na vida do concelho.
O autarca descreve mesmo as festas como o “cartão de visita” de Arruda dos Vinhos. Durante quase duas semanas, o concelho mostra também a sua cultura, gastronomia, associativismo e produção local. A programação termina tradicionalmente com o fado, estando este ano Ricardo Ribeiro encarregado do encerramento, no dia 18.
A dimensão económica também pesa. Segundo Carlos Alves, a capacidade das festas para captar novos públicos traduz-se em maior movimento na restauração, no comércio e noutras atividades económicas. A gastronomia surge associada a outro setor que o município quer continuar a valorizar: o vinho. O presidente destaca o crescimento do setor vitivinícola do concelho e a procura dos visitantes pelos vinhos produzidos em Arruda.

Na entrevista, Carlos Alves revelou ainda que está a ser preparado um novo evento dedicado aos vinhos e à gastronomia, com uma componente de “show cooking”. A primeira edição deverá acontecer ainda este ano e, se o calendário previsto se confirmar, as linhas principais da iniciativa poderão ser apresentadas até ao final das atuais festas.
Com vários dias de programação ainda pela frente, Carlos Alves deixou um convite a quem acompanha Arruda à distância. Para além dos diferentes momentos do programa, destacou sobretudo a hospitalidade da população como principal motivo para visitar o concelho: “Venham até nós.”

Intempéries obrigaram a redimensionar programa
A edição deste ano das Festas de Nossa Senhora da Salvação acontece depois das intempéries que atingiram Arruda dos Vinhos e deixaram marcas no território. Carlos Alves reconhece que esse contexto obrigou o município a fazer “alguns sacrifícios”, afinações e a redimensionar algumas das propostas inicialmente consideradas para o programa.
Apesar disso, a Câmara decidiu manter as festas. O presidente justifica a opção com a necessidade de recuperar alguma normalidade e também de contribuir para a autoestima da população, sem esquecer o esforço necessário para a reconstrução do concelho.
“É o mínimo de vida normal do concelho”, afirmou, defendendo simultaneamente a necessidade de manter o compromisso com a recuperação dos danos provocados pelas intempéries. Para Carlos Alves, as festas podem funcionar neste contexto como um elemento de união, encontro e reencontro da comunidade.




