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Pedro Martins reconstruiu a Inokem fundada pelo pai e prepara agora uma nova fase de crescimento

Quando Pedro Martins regressou à Inokem, dedicada aos detergentes ultraconcentrados, em 2018, encontrou uma empresa muito diferente daquela que hoje emprega cerca de 25 pessoas, vende diretamente ao consumidor, possui uma rede de mais de uma centena de parceiros e prepara novos investimentos. Pelo meio estava também uma história familiar. A empresa tinha sido fundada em 2007, com o pai como principal fundador, e foi precisamente a sua morte que marcou um dos momentos mais difíceis da vida da Inokem e levou Pedro Martins a regressar a um projeto que admite estar então numa situação de forte decadência.

Em declarações ao “Negócios com Valor”, do Valor Local, o CEO da Inokem recuou quase duas décadas para contar uma história empresarial que começou com uma ideia pouco habitual para a época: colocar no mercado produtos mais sustentáveis quando o próprio conceito ainda estava longe da presença que hoje tem junto das empresas e dos consumidores.

“Houve vários momentos importantes na história da Inokem. O primeiro, obviamente, foi a sua fundação”, recorda Pedro Martins. A diferenciação através de produtos mais sustentáveis esteve presente desde o início e os primeiros anos trouxeram um crescimento acentuado. Mas a história da empresa acabaria também por ser marcada pela morte do pai do atual CEO, que Pedro Martins identifica como “talvez o momento mais triste da empresa”.

Pedro Martins tinha deixado a Inokem em 2014. Regressou quatro anos depois e encontrou um projeto que precisava de ser praticamente reconstruído. A empresa mantinha essencialmente o modelo de negócio de 2007, com uma equipa comercial reduzida, pouca novidade no portefólio e uma faturação que o empresário classifica como baixa.

O ano de 2019 tornou-se, por isso, um período de transição. Durante cerca de um ano foi analisado aquilo que ainda fazia sentido preservar da empresa criada pelo pai, e o que teria de mudar para garantir o futuro. A conclusão foi profunda: “Pouco ficou do modelo antigo, ou quase nada”, reconhece.

Ficou parte da equipa comercial, mas mudou a forma de vender e o portefólio. A verdadeira “nova Inokem”, como Pedro Martins lhe chama, começou a ganhar forma em 2020. Foi então que a empresa abriu o seu leque de produtos ao consumidor final através do comércio eletrónico e iniciou uma fase de crescimento que acabaria por levá-la também ao retalho.

A entrada no Lidl foi um dos passos desse percurso. Outro foi a criação de uma rede de parceiros que, segundo o CEO, ultrapassa atualmente a centena e permite fazer refill (reabastecimento) em mais de 100 pontos espalhados pelo território nacional, incluindo as ilhas.

Inokem chega ao segmento doméstico com cada vez mais ambição

A mudança significou também abandonar progressivamente uma identidade essencialmente ligada ao mercado empresarial e industrial. Até 2020, era sobretudo nesse universo que a Inokem era conhecida. A entrada no segmento doméstico colocou a marca perante um público muito mais vasto.

Pedro Martins garante que a empresa conta atualmente com mais de 40 mil clientes e aponta os prémios recebidos nos últimos anos como outro indicador do aumento da notoriedade da marca. Entre os exemplos referidos estão duas distinções no Prémio Nacional de Sustentabilidade, incluindo uma atribuída este ano na área das Cidades Inteligentes ao Biosupra.

A transformação iniciada em 2018 está, contudo, longe de terminada. A Inokem prepara agora uma das maiores mudanças da sua história. A estrutura evoluiu para um grupo de empresas ligado à sustentabilidade e aos biodetergentes, com diferentes áreas a assumirem funções comerciais, industriais e de desenvolvimento.

A nova fábrica –  BKF – Biokem Factory

É nesta nova organização que surge um dos projetos mais importantes para os próximos anos: uma fábrica própria. A BKPF – Biokem Factory ficará responsável pela produção de biodetergentes, incluindo produção em modelo de private label, serviços de engenharia e reengenharia de produto e projetos especiais. Paralelamente, a Inokem avança na expansão para Espanha, para a qual está a ser constituída uma equipa específica.

A fábrica representa também uma alteração estrutural no modelo da empresa. Até agora, o desenvolvimento dos biodetergentes tem sido realizado em parceria com laboratórios. O objetivo é passar a fechar internamente todo o ciclo, concentrando nas empresas do grupo o conhecimento de produto e a componente de engenharia.

Pedro Martins acredita que esta capacidade permitirá desenvolver uma nova geração de biodetergentes, recorrendo progressivamente a componentes mais naturais e orgânicos, sem abandonar uma das tecnologias que distingue os produtos da empresa: a ultraconcentração.

A aposta numa identidade própria vai ainda mais longe. Em janeiro de 2027, a Inokem prevê lançar uma embalagem proprietária, cujo desenvolvimento demorou quase dois anos e para a qual estão atualmente a ser produzidos os moldes.

A nova embalagem, nas versões de um litro e meio litro, deverá ser transversal aos produtos da marca e, segundo Pedro Martins, será integralmente produzida em plástico reciclado, incluindo corpo, tampa e copo. A ambição é deixar de introduzir plástico virgem no mercado através das novas embalagens da marca.

O conceito está também associado à aposta no refill. Em vez de a embalagem terminar o seu ciclo quando o produto acaba, a empresa pretende que seja utilizada repetidamente. Pedro Martins chega a falar numa vida útil potencial de 10, 15, 20 ou mesmo 30 anos para cada recipiente.

E se a produção está prestes a mudar, a sede da empresa também vai conhecer uma nova realidade. O crescimento da equipa, que ronda atualmente as 25 pessoas, levou a Inokem a decidir avançar para novas instalações no Parque das Nações, em Lisboa. Não se trata apenas, explica o CEO, de conseguir mais espaço para uma estrutura que está a aumentar. O projeto prevê um showroom de maior dimensão, com capacidade para receber clientes e apresentar a tecnologia desenvolvida pela empresa. Pedro Martins pretende também que as novas instalações ofereçam aos trabalhadores condições que acompanhem a transformação ocorrida nos últimos anos.

“É um escritório completamente diferente de tudo aquilo que já se viu”, promete o empresário, que deixou desde já o convite ao Valor Local para acompanhar a inauguração.

Fábrica, novas instalações, expansão internacional, embalagem proprietária e desenvolvimento interno de produtos fazem assim parte de uma fase que contrasta com o ponto em que Pedro Martins encontrou a empresa quando regressou, há oito anos.

A dimensão emocional dessa transformação continua, contudo, ligada ao princípio da história. O atual CEO não criou a Inokem. Regressou a uma empresa fundada pelo pai, num momento particularmente difícil, e decidiu reconstruí-la usando aquilo que chama as “peças basilares” deixadas pelos primeiros 12 anos do projeto.

Questionado pelo “Negócios com Valor” sobre onde gostaria de ver a Inokem daqui a duas décadas, Pedro Martins não escondeu a dimensão da ambição. Acredita que a empresa poderá tornar-se líder europeia no mercado dos biodetergentes e, depois de consolidar a presença na Europa, avançar de forma significativa para o mercado norte-americano.

É uma projeção para o futuro que ganha outra dimensão quando comparada com a realidade que Pedro Martins encontrou no regresso à empresa, em 2018. De um projeto que descreve como estando então em forte decadência nasceu uma nova estrutura empresarial que se prepara agora para produzir, desenvolver e comercializar os seus próprios produtos, crescer internacionalmente e entrar numa nova etapa da sua história.

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