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Águas do Ribatejo investe seis milhões para renovar três ETAR e reforçar proteção dos recursos hídricos

A Águas do Ribatejo vai avançar com um investimento global de cerca de seis milhões de euros na reabilitação das estações de tratamento de águas residuais (ETAR) de Muge, Benfica do Ribatejo e Glória do Ribatejo. Os concursos públicos para as três empreitadas já foram lançados e preveem intervenções profundas em infraestruturas com várias décadas de funcionamento.

As obras fazem parte de um plano de investimento mais amplo da empresa intermunicipal e destinam-se a modernizar os sistemas de tratamento, aumentar a sua capacidade e responder às exigências ambientais que se colocam atualmente ao setor.

Miguel Carrinho, diretor-geral da Águas do Ribatejo, considera as intervenções “absolutamente fundamentais” para assegurar a recolha e o tratamento adequado das águas residuais produzidas nestas localidades.

A empresa serve cerca de 140 mil pessoas em sete municípios da Lezíria do Tejo e pretende, com estes investimentos, garantir a qualidade do serviço, mas também melhorar o desempenho ambiental dos sistemas de saneamento.

Em Muge, no concelho de Salvaterra de Magos, uma das questões está relacionada com as limitações da tecnologia atualmente instalada, designadamente na desinfeção dos efluentes.

A localização da descarga, que segue para o rio Tejo junto de zonas consideradas sensíveis do ponto de vista hídrico, acrescenta exigência à intervenção. A empreitada permitirá, por isso, introduzir novos processos de tratamento e melhorar a qualidade final dos efluentes.

No caso de Benfica do Ribatejo, no concelho de Almeirim, a dimensão da intervenção será particularmente significativa.

A atual ETAR foi construída antes da criação da Águas do Ribatejo e deixou de responder de forma adequada ao crescimento dos caudais, consequência, nomeadamente, da expansão da rede de saneamento da localidade.

Apesar de formalmente se tratar de uma reabilitação, a transformação prevista será muito mais profunda.

“O que chamamos uma reabilitação passará, na prática, por ter quase uma instalação totalmente nova e adaptada às exigências de hoje”, explica Miguel Carrinho.

Também na Glória do Ribatejo a antiguidade da infraestrutura obriga a uma atualização significativa. A ETAR terá de ser adaptada a padrões ambientais substancialmente mais exigentes do que aqueles existentes quando entrou em funcionamento.

As três estações foram sendo alvo de intervenções pontuais ao longo dos anos, mas a idade das infraestruturas e a evolução das exigências técnicas e ambientais tornam agora necessárias obras de outra dimensão.

As três intervenções ultrapassam, desta forma, a dimensão estritamente local. A melhoria do tratamento das águas residuais tem efeitos na qualidade das massas de água e na proteção dos recursos hídricos de toda a região.

“São projetos muito importantes para a região”, salienta o diretor-geral da Águas do Ribatejo.

O investimento surge também num momento de mudança para o setor, com a nova Diretiva Europeia das Águas Residuais Urbanas a elevar as exigências aplicáveis ao tratamento e controlo ambiental.

“Temos aqui um desafio acrescido nesta área, que decorre da entrada em vigor da nova Diretiva Europeia das Águas Residuais Urbanas”, refere Miguel Carrinho, antecipando a necessidade de mobilizar “recursos financeiros muito significativos” para responder às novas regras.

Os projetos de Muge, Benfica do Ribatejo e Glória do Ribatejo foram candidatados a financiamento comunitário através do programa Sustentável 2030. Para uma entidade gestora da dimensão da Águas do Ribatejo, o acesso a estes fundos assume particular importância.

“Estamos a falar de um valor na ordem dos seis milhões de euros, o que é um valor muito significativo para uma entidade gestora da nossa dimensão”, sublinha.

As empreitadas deverão prolongar-se entre aproximadamente um ano e meio e pouco mais de dois anos, dependendo da complexidade de cada intervenção.

Com este novo pacote de investimentos, a Águas do Ribatejo procura preparar três infraestruturas essenciais para as próximas décadas, conjugando a capacidade de resposta às populações com uma exigência cada vez maior na proteção ambiental e na qualidade dos recursos hídricos da Lezíria do Tejo.

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