A Câmara Municipal de Azambuja está a estudar a criação de cerca de mil lugares de estacionamento junto à estação ferroviária, antecipando o aumento da procura que poderá resultar da futura circulação de comboios suburbanos de 10 em 10 minutos. A necessidade de estacionamento foi um dos principais temas da sessão pública de apresentação do projeto de quadruplicação da Linha do Norte entre Castanheira do Ribatejo e Azambuja, uma obra estimada em 135 milhões de euros que prevê profundas alterações nas estações da região.
A Infraestruturas de Portugal prepara uma profunda remodelação das estações da Castanheira do Ribatejo, Carregado, Vila Nova da Rainha, Espadanal e Azambuja no âmbito do Programa Nacional de Investimentos 2030. O projeto contempla a quadruplicação da Linha do Norte entre Castanheira do Ribatejo e Azambuja ao longo de 12,9 quilómetros, permitindo aumentar a capacidade ferroviária do corredor e reforçar a oferta de transporte suburbano.
Esta segunda-feira decorreu em Azambuja a apresentação pública do projeto, atualmente em consulta pública. Entre os principais objetivos está a possibilidade de aumentar significativamente a frequência dos comboios suburbanos, podendo no futuro circular composições de 10 em 10 minutos. Embora a futura linha de alta velocidade não contemple paragens nos concelhos de Azambuja, Alenquer e Vila Franca de Xira, a Infraestruturas de Portugal considera que a obra permitirá reforçar a utilização do transporte ferroviário na região.A velocidade máxima prevista será de 190 quilómetros por hora para os comboios convencionais de passageiros e de 220 quilómetros por hora para os comboios pendulares, do tipo Alfa Pendular.
Cândida Castro, da Infraestruturas de Portugal, explicou, entre outros aspetos, que na estação do Carregado proceder-se-á à demolição do alpendre existente, beneficiação da passagem superior e criação de novas áreas de estacionamento. Está igualmente prevista a construção de um novo edifício técnico e a requalificação de diversos elementos da estação.
No apeadeiro de Vila Nova da Rainha será demolido um pequeno abrigo existente e construídos dois novos abrigos. Proceder-se-á ainda a obras de beneficiação e limpeza, alteamento e prolongamento da plataforma. O projeto contempla igualmente a execução de um passadiço de acesso pedonal e ciclável junto à Ponte de Vila Nova da Rainha, permitindo ligar os dois caminhos paralelos existentes. A solução surge devido à recorrente utilização indevida do canal ferroviário por peões e ciclistas que atravessam a vedação da linha para aceder ao passadiço existente na ponte.
No Espadanal, a intervenção passará pela limpeza e beneficiação do espaço, alteamento e prolongamento da plataforma, construção de novos abrigos, elevadores e de um edifício técnico.
Já na estação da Castanheira do Ribatejo estão previstas intervenções ao nível da limpeza e reabilitação de revestimentos exteriores dos edifícios, substituição de painéis exteriores, remoção de grafitis, tratamento de fissuras, nova sinalética e diversas melhorias nas plataformas e espaços interiores.
Na estação de Azambuja será desativado o posto de catenária existente e demolida a torre GSM-R. A Infraestruturas de Portugal prevê ainda a reabilitação do edifício de passageiros e a reorganização do atual parque de estacionamento existente em terreno da empresa, que passará a estar disponível ao público, quando atualmente é utilizado apenas pelos funcionários da CP. Serão igualmente criados lugares para pessoas com mobilidade condicionada, estacionamento para motociclos e bicicletas, bem como zonas de tomada e largada de passageiros.
No capítulo das expropriações, a responsável da Infraestruturas de Portugal referiu que “estamos a falar de pequenas faixas de terreno”, uma vez que a esmagadora maioria da intervenção decorre dentro do domínio público ferroviário. O público presente foi ainda informado de que o projeto prevê a instalação de barreiras acústicas e medidas antivibratórias. Segundo a responsável, a evolução tecnológica do material circulante tem igualmente contribuído para uma redução dos níveis de ruído.
Autarcas apresentam dúvidas
Silvino Lúcio, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, manifestou durante a sessão algumas preocupações relativamente ao projeto. Entre elas destacou o funcionamento dos elevadores da estação de Azambuja, que se encontram muitas vezes inoperacionais. Questionada sobre o assunto, Cândida Castro atribuiu o problema essencialmente a atos de vandalismo, sem avançar soluções concretas para ultrapassar a situação.
Também Ana Coelho, vereadora do executivo PS, chamou a atenção para a situação vivida em Vila Nova da Rainha. A autarca recordou que milhares de utilizadores perderam um percurso pedonal que utilizavam diariamente após a colocação de um portão junto ao apeadeiro, sendo atualmente obrigados a utilizar troços da Estrada Nacional 3, com riscos acrescidos para a segurança rodoviária.
A questão do estacionamento acabou, contudo, por dominar parte importante da discussão. A Infraestruturas de Portugal explicou que a intervenção prevista em Azambuja passa essencialmente pela reorganização e abertura ao público do atual parque existente, solução considerada insuficiente pelos responsáveis municipais.
O vice-presidente da Câmara, António José Matos, referiu durante a sessão que a autarquia se encontra a desenvolver um estudo para a criação de cerca de mil lugares de estacionamento junto à estação, considerando que os 20 ou 30 lugares que poderão resultar da intervenção da Infraestruturas de Portugal “valem zero” face às necessidades futuras.
Ao Valor Local, Silvino Lúcio esclareceu que os parques planeados pelo município não serão condicionados pela obra ferroviária e que os cerca de mil lugares previstos serão integralmente promovidos pela Câmara Municipal. “O impacto que vai ter é haver comboios de dez em dez minutos, o que aumentará significativamente a pressão sobre o estacionamento. Com esta disponibilidade de transporte ferroviário, devido à rapidez e às vantagens ambientais, muitas pessoas irão preferir deixar o carro em Azambuja e seguir de comboio”, afirmou.
O autarca considera que a resposta apresentada pela Infraestruturas de Portugal para o estacionamento é insuficiente perante a procura que poderá surgir nos próximos anos e defende igualmente a abertura de um acesso mais direto entre os parques existentes e a estação, evitando que os utilizadores tenham de circular junto à Nacional 3 para aceder às plataformas. Enquanto a Infraestruturas de Portugal prevê apenas a reorganização e abertura ao público do atual parque existente junto à estação, a Câmara de Azambuja encontra-se a estudar a criação de cerca de mil lugares de estacionamento, considerando que o aumento da oferta ferroviária irá atrair um número crescente de utilizadores à estação.
Ao Valor Local, Silvino Lúcio adiantou ainda que o município se encontra a preparar a sua posição formal para remeter no âmbito da consulta pública do projeto. O documento está a ser analisado pelos serviços técnicos da autarquia e deverá integrar observações relacionadas com as situações identificadas em Vila Nova da Rainha, Espadanal e Azambuja. A empreitada terá uma duração estimada de cerca de 40 meses. A decisão decorrente do processo de consulta pública e estudo de impacte ambiental será conhecida em outubro deste ano.




