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CIMPOR moderniza fábrica de Alhandra e aposta na descarbonização

A fábrica da CIMPOR em Alhandra tem vindo a atravessar um processo de transformação profunda, marcado por investimentos significativos na modernização tecnológica e na redução da pegada ambiental. Num setor tradicionalmente associado a elevados consumos energéticos e emissões, a unidade procura afirmar-se como um exemplo de adaptação aos novos desafios da sustentabilidade, apostando na eficiência, na economia circular e na inovação.

Em entrevista ao Valor Local, a empresa detalha as principais mudanças implementadas, os objetivos traçados para a descarbonização e a forma como tem procurado conciliar a sua atividade industrial com uma relação próxima e transparente com a comunidade envolvente.

Valor Local: Que transformações tem a CIMPOR vindo a implementar na fábrica de Alhandra para reduzir a pegada ambiental?

Mário Lopes: A CIMPOR tem vindo a concretizar um conjunto muito significativo de investimentos na fábrica de Alhandra, com foco claro na redução da pegada ambiental. Destaca-se, desde logo, a modernização da Linha 7, equipada com tecnologia mais eficiente do ponto de vista energético, como o novo moinho vertical e o arrefecedor de última geração.

Paralelamente, avançámos com a instalação de uma central fotovoltaica (13 MW) e de um sistema de recuperação de calor (WHR), que permite produzir energia elétrica a partir dos gases do processo. A par disso, aumentámos de forma expressiva a incorporação de combustíveis alternativos e introduzimos novos tipos de cimento com argilas calcinadas, reduzindo o teor de clínquer e, consequentemente, as emissões de CO₂.

VL: Como se reflete a sustentabilidade no dia a dia da unidade de Alhandra?

ML: A sustentabilidade deixou de ser um objetivo e passou a estar integrada no funcionamento diário da fábrica. A nova Linha 7, aliada à paragem da Linha 6, permite uma operação mais eficiente e com menor intensidade carbónica, reduzindo a produção de clínquer e otimizando os consumos energéticos.

No dia a dia, isto traduz-se numa maior exigência operacional, numa gestão mais rigorosa dos recursos e numa adaptação das equipas a processos mais tecnológicos e sustentáveis.

Que papel têm os combustíveis alternativos e energias mais limpas?

Tem sido um percurso progressivo, que exigiu investimento, aprendizagem e adaptação. Inicialmente, a incorporação de combustíveis alternativos colocava desafios operacionais, mas hoje é uma prática consolidada.

Com o arranque da Linha 7, conseguiremos atingir níveis de substituição térmica até 80%, o que representa um contributo muito relevante para a redução das emissões de CO₂. Este processo é suportado por sistemas de doseamento e monitorização cada vez mais sofisticados e por uma maior maturidade operacional.

Mário Lopes dá a conhecer os próximos passos da empresa

Como é que a CIMPOR integra a economia circular?

A economia circular está integrada no nosso modelo de operação através da valorização de resíduos. Utilizamos combustíveis alternativos, como pneus triturados ou combustíveis derivados de resíduos (CDR), e incorporamos matérias-primas provenientes de outras indústrias no processo produtivo.

Desta forma, contribuímos para a redução do consumo de recursos naturais e para a valorização de resíduos que, de outra forma, teriam outro destino.

Que medidas têm sido adotadas para otimizar o consumo de recursos?

Temos vindo a atuar em várias frentes. Por um lado, aumentamos a incorporação de matérias-primas alternativas e de argilas calcinadas, reduzindo a necessidade de clínquer e, consequentemente, a pressão sobre os recursos naturais.

Por outro, investimos na eficiência energética dos processos, no aumento da utilização de combustíveis alternativos e na produção de energia própria, quer através da recuperação de calor, quer da energia solar.

Que investimentos recentes destacaria na modernização da unidade?

Destacaria sobretudo o revamping da Linha 7, que representa um salto tecnológico relevante para a fábrica. A este investimento juntam-se a instalação da central fotovoltaica, o sistema de recuperação de calor (WHR) e a aposta na digitalização, nomeadamente através da introdução de soluções de conectividade e inovação tecnológica, como a rede 5G.

Como descreve a convivência entre a fábrica e a comunidade local?

A relação com a comunidade assenta na proximidade, transparência e diálogo contínuo. A CIMPOR procura explicar a sua atividade e os impactos associados, promovendo iniciativas como jornadas de portas abertas e ações com a comunidade.

Simultaneamente, asseguramos uma monitorização ambiental contínua, com pontos de controlo também na envolvente, e mantemos uma ligação ativa através de parcerias com entidades locais e apoio a diversas iniciativas.

Que mecanismos garantem essa monitorização ambiental?

Dispomos de sistemas de monitorização contínua, com analisadores online que acompanham as emissões em permanência. Estes dados são tratados em relatórios regulares e partilhados com as entidades competentes, nomeadamente a APA – Agência Portuguesa do Ambiente.

Este acompanhamento permite garantir o cumprimento das normas ambientais e atuar de forma imediata sempre que necessário.

Que evolução existe nos cimentos com menor impacto ambiental?

A evolução tem sido significativa, com o desenvolvimento de cimentos que incorporam materiais como cinzas, escórias, filler e, mais recentemente, argilas calcinadas.

Esta abordagem permite reduzir o teor de clínquer no produto final, diminuindo as emissões associadas, sem comprometer a qualidade e desempenho do cimento.

Que metas concretas a CIMPOR definiu para a descarbonização?

A CIMPOR definiu metas claras no caminho da descarbonização, com objetivos intermédios até 2030 e o objetivo de alcançar a neutralidade carbónica até 2050.

Este percurso assenta numa combinação de medidas, desde a eficiência energética à substituição de combustíveis fósseis e ao desenvolvimento de novos produtos com menor pegada carbónica.

Como é valorizado o uso de resíduos na fábrica de Alhandra?

A valorização de resíduos está plenamente integrada na operação, quer através da sua utilização como combustíveis alternativos, quer como matérias-primas no processo produtivo.

Este modelo contribui para reduzir a dependência de recursos naturais e reforça o contributo da fábrica para a economia circular.

CIMPOR definiu metas claras no caminho da descarbonização, com objetivos intermédios até 2030

Como se traduz o compromisso social e económico da CIMPOR?

Para além da vertente ambiental, a CIMPOR mantém um compromisso ativo com o território e com as pessoas. Promovemos iniciativas com a comunidade, apoiamos instituições locais, nomeadamente entidades de proteção civil e associações, e desenvolvemos ações de proximidade e envolvimento.

Como conciliar tradição industrial com exigências ambientais?

Essa conciliação tem sido possível através da modernização contínua dos processos e da adoção de tecnologias mais eficientes.

Hoje, a fábrica está equipada com sistemas avançados de monitorização de emissões e com procedimentos rigorosos que garantem o cumprimento das exigências legais, mantendo simultaneamente a sua relevância industrial.

Qual é hoje o principal desafio ambiental da indústria cimenteira?

O principal desafio continua a ser a redução das emissões de CO₂ associadas à produção de clínquer.

Para isso, é essencial continuar a desenvolver novos materiais, aumentar a incorporação de matérias-primas alternativas e evoluir para soluções como a captura de carbono, sem descurar a redução de outras emissões.

Que mensagem gostaria de deixar à comunidade?

A CIMPOR continuará a investir de forma consistente na modernização e na sustentabilidade da fábrica de Alhandra.

Estamos comprometidos com a redução das emissões, com a eficiência energética e com uma relação transparente com a comunidade, contribuindo para uma indústria cada vez mais alinhada com os desafios ambientais atuais.

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