A construção modular utilizada no novo Complexo Municipal das Oficinas de Povos, em Vila Franca de Xira, poderá vir a ter um impacto que ultrapassa o âmbito dos serviços municipais. A experiência, considerada positiva pelo executivo, abre a porta à sua aplicação futura na área da habitação.
Ao Valor Local, o presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira, admitiu que esta solução está a ser equacionada como parte da estratégia municipal para responder à crescente dificuldade de acesso à habitação, sobretudo entre jovens e classe média. “O tempo de construção é mais curto e permite maior flexibilidade de projeto”, explicou, referindo-se às vantagens deste modelo, em que os elementos são pré-preparados antes da instalação no terreno.
A obra agora inaugurada serviu como uma primeira experiência prática deste modelo de conceção-construção. O resultado, segundo o município, foi suficientemente positivo para justificar a sua análise em futuras intervenções, nomeadamente na construção de habitação municipal.
Estratégia de habitação passa pela Quinta da Flamenga e antigas vivendas da OGMA
A estratégia local de habitação assenta atualmente em dois caminhos distintos. O primeiro passa pela reabilitação de edifícios antigos, muitos deles devolutos, localizados sobretudo nos centros urbanos. Essa componente está já numa fase avançada, com várias intervenções concluídas ou em execução.
O segundo eixo, considerado essencial, passa pela construção de raiz. É neste contexto que surge um dos projetos mais relevantes do concelho, localizado na Quinta da Flamenga, em Vialonga.
Trata-se de uma área de grande dimensão, durante anos sem utilização, cuja resolução apenas foi possível após a transferência dos terrenos do Estado para a esfera municipal. A partir daí, o município avançou com um projeto que combina reabilitação e nova construção.
O plano prevê a recuperação do antigo palácio da Flamenga, que será reconvertido para habitação, mantendo o edifício e integrando também valências de utilização coletiva, nomeadamente espaços de apoio à freguesia e um auditório. A intervenção inclui ainda a construção de novos edifícios no espaço envolvente, permitindo aumentar a oferta habitacional.
A dimensão do terreno e o loteamento já definido permitem ao município pensar numa solução de escala, com habitação a custos controlados ou em regime de renda acessível, dirigida sobretudo à classe média e aos jovens.

Alverca: reabilitar o bairro da OGMA para fixar jovens e preservar identidade
No centro de Alverca, o município prepara uma intervenção distinta da que está prevista para a Flamenga, apostando na reabilitação de um conjunto urbano com forte ligação à história local.
As antigas vivendas da OGMA, recentemente integradas no património municipal, serão alvo de um projeto orientado para a criação de habitação destinada sobretudo a jovens, numa tentativa de responder a uma das maiores dificuldades atuais do concelho: o acesso à primeira habitação.
Ao contrário de outras zonas onde a construção de raiz é a solução dominante, neste caso a opção passa pela recuperação do edificado existente. O objetivo é preservar a identidade do bairro, um conjunto de pequenas moradias que, ao longo dos anos, se tornaram parte da memória coletiva de Alverca.




