As concessões do Bar do Esteiro e do Restaurante Valverde, dois espaços com potencial para dinamizar o turismo e a economia local em Azambuja, continuam envoltas num impasse que revela problemas na forma como a Câmara Municipal gere o seu património e atrai parceiros privados.
No caso do Bar do Esteiro, o processo já conheceu duas hastas públicas – a primeira com uma renda mensal de 100 euros e a segunda com 50 euros – ambas sem qualquer interessado. Perante o fracasso, o município admite agora recorrer ao ajuste direto, tendo como possibilidade o Clube Náutico de Azambuja, embora sem confirmação oficial.
O vice-presidente António José Matos esclareceu ao Valor Local que “ninguém concorreu” e que o município “já pediu parecer jurídico” para viabilizar o ajuste direto. Quanto ao alegado envolvimento do Clube Náutico, garante que “nunca concorreu” e que “se tiver interesse”, poderá ser uma hipótese. Para já encontra-se a guardar equipamentos numas instalações contíguas ao futuro bar. A ausência de propostas é justificada com uma expressão que resume bem o desalento da autarquia: “As pessoas são muito distraídas.”
Já Rui Corça, vereador do PSD, vai mais longe e levanta dúvidas sobre a viabilidade do próprio espaço: “Provavelmente hoje tem um fator acrescido de dificuldade, que é o facto de aquela obra ser, na minha perspetiva, um projeto falhado.” Acrescenta que a baixa atratividade económica do concelho pesa nas decisões dos investidores: “A condição económica da esmagadora maioria das pessoas é débil para usufruir deste tipo de infraestruturas.”
A vereadora Inês Louro (Chega) também revela que a informação sobre esta concessão não é muita, sabe de um protocolo com a associação de canoagem e pouco mais.
O cenário não é mais animador no caso do Restaurante Valverde. Três anos após o início do processo de concessão com a Prime Alecrim Events, o espaço permanece encerrado, com obras por terminar e sem horizonte definido. O contrato com o concessionário foi rescindido unilateralmente pela Câmara, após sucessivos adiamentos e incumprimentos.

Segundo António José Matos, a autarquia deu “muito mais tempo do que o previsto no contrato”, mas “o restaurante não abriu” e, portanto, “a Câmara deliberou acabar com a concessão”. Matos rejeita qualquer responsabilidade da autarquia pelo fracasso, sublinhando que “a Câmara fez mais do que devia”.
Rui Corça critica a demora na atuação da Câmara: “A única crítica que faço é o facto de a Câmara ter demorado ainda tanto tempo até concluir que esta era a única saída.” Discorda, no entanto, da proposta da vereadora Inês Louro, que defende que a Câmara termine as obras antes de lançar nova concessão: “Ser a Câmara a terminar aquelas obras, nunca mais está aquilo em condições.” Para Corça, a solução passa por “reabrir o concurso, explicitando o ponto de situação”, para que futuros interessados saibam exatamente com o que contam.
Inês Louro lamenta o estado de abandono do espaço e acusa a Câmara de inércia: “A Câmara deixou destruir aquele património.” E insiste: “O mínimo que se exige é que a Câmara termine as obras e depois efetivamente encontre o parceiro ideal.”
Apesar de posições divergentes sobre o que fazer a seguir, os três eleitos convergem num ponto: a atual situação é insustentável e a sede de concelho carece há muito de uma unidade de restauração de outra envergadura.