O presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Silvino Lúcio, confirmou a existência de um possível incendiário ativo no concelho, mais concretamente na zona de Alcoentre e Manique do Intendente, onde têm sido registadas várias ignições suspeitas nos últimos dias. A informação foi avançada em entrevista à Rádio Valor Local, e representa a primeira vez que a autarquia assume oficialmente a possibilidade de ação criminosa relacionada com os fogos florestais na região.
“Temos, como se sabe, uma torre de vigia em Alcoentre e temos uma monitorização efetiva dos nossos sapadores na zona do Alto Concelho, que é onde tem existido o maior número de ignições”, referiu o autarca.
O autarca prossegue: “O senhor comandante da Proteção Civil diz que temos lá um senhor a brincar conosco, que hoje larga aqui, e amanhã larga ali. Mas a GNR e a Polícia Judiciária já estão no local. De facto temos um incendiário à solta no concelho”, denunciou Silvino Lúcio, revelando que o caso já foi entregue às autoridades judiciais.
Meios de socorro têm sido diligentes na contenção de pequenos focos de incêndio
A zona do Alto Concelho, onde se incluem freguesias como Alcoentre, Manique, Vila Nova de S. Pedro e Maçussa e outras áreas rurais mais densamente arborizadas, tem sido fustigada por pequenos focos de incêndio, frequentemente controlados à nascença graças à vigilância permanente no terreno e à prontidão das corporações de bombeiros de Alcoentre e Azambuja.
Há vários anos que a autarquia mantém uma torre de observação ativa em Alcoentre, resultante da adaptação de um velho moinho, e uma rede de sapadores que monitoriza as áreas mais críticas. Ainda assim, os padrões de ocorrência sugerem, segundo Silvino Lúcio, uma mão criminosa, o que levou ao envolvimento da Polícia Judiciária, além da GNR e da Proteção Civil municipal.
A suspeita de que se trata de um incendiário reincidente aumenta a tensão no território, sobretudo entre populações locais e agentes de proteção florestal. A forma como os incêndios surgem, em dias e locais diferentes, mas sempre dentro da mesma zona geográfica, levanta suspeitas claras. “Hoje larga aqui, amanhã larga ali” — disse o presidente, citando o comandante da Proteção Civil.
A expressão usada pelo autarca, “a brincar conosco”, não esconde a frustração de quem, mesmo com meios de prevenção, continua a ver o território ameaçado.
Apesar da gravidade da situação, Silvino Lúcio procurou transmitir confiança nas estruturas operacionais do concelho. “No concelho de Azambuja há uma boa articulação entre os corpos de bombeiros e a Cruz Vermelha, que estão a fazer face às necessidades relativamente aos fogos florestais”, garantiu.
Corpos de bombeiros devidamente equipados
Segundo o autarca, os corpos de bombeiros de Alcoentre e da Azambuja estão “devidamente equipados” e prontos para atuar. A Cruz Vermelha, embora não intervenha diretamente no combate, presta um apoio considerado essencial nas retaguardas e nas situações de emergência mais graves.
Ao nível distrital, o presidente da Câmara considera que a coordenação com o Comando Distrital de Operações de Socorro tem sido eficaz. “Penso que as coisas estão tratadas com o comandante distrital e estamos articulados com eles”, afirmou.
Também revelou que, apesar das necessidades locais, foi possível destacar elementos dos bombeiros da Azambuja e Alcoentre para apoiar outros concelhos do país onde os fogos têm assumido maiores proporções.
A autarquia não revelou se já há suspeitos identificados, mas o envolvimento da Polícia Judiciária indica que a investigação está a decorrer em moldes criminais. Até ao fecho desta edição, não tinham sido efetuadas detenções.