Vila Franca de Xira deu o primeiro passo formal para a criação de um Museu da Cultura Tauromáquica, um projeto que deverá ser instalado na Praça de Touros Palha Blanco. A Câmara Municipal aprovou por unanimidade um protocolo com o ISCTE para desenvolver o trabalho preparatório do futuro museu, numa altura em que o município tem vindo a reunir espólios ligados à tauromaquia e a própria Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira, proprietária da praça, assume estar envolvida no projeto.
A intenção foi apresentada pelo presidente da Câmara, Fernando Paulo, na reunião extraordinária do executivo municipal de 22 de setembro. O autarca explicou que o município tem recebido, com crescente frequência, doações de espólios e revelou que o matador de touros Vítor Mendes manifestou recentemente disponibilidade para ceder uma parte significativa da sua coleção a Vila Franca de Xira.
O protocolo agora aprovado pretende lançar as bases científicas e museológicas do projeto. A primeira fase representa um investimento de 15 mil euros e contempla, entre outros trabalhos, o levantamento e identificação do património existente, a definição do conceito museológico e a preparação do programa de ação para o lançamento do futuro museu. O valor não inclui eventuais trabalhos adicionais necessários para a posterior concretização do equipamento.
Palha Blanco apontada como casa do futuro museu
Embora a localização não esteja ainda formalmente definida, Fernando Paulo deixou clara a sua preferência pela Praça de Touros Palha Blanco, que este ano comemora 125 anos.
Para o presidente da Câmara, “não há dúvida que o local adequado para um Museu da Cultura Tauromáquica em Vila Franca é a própria Praça de Touros”, considerando que o edifício constitui, por si próprio, “uma peça de arquitetura e de cultura” que se enquadra no conceito do futuro museu. O autarca ressalvou, contudo, que ainda não estão definidos os espaços concretos a utilizar no interior da praça, nem é possível nesta fase estimar o investimento global necessário para abrir o equipamento ao público. 22 set vfx (1)
A possibilidade de instalação na Palha Blanco ganha agora maior consistência com as declarações ao Valor Local de Armando Jorge de Carvalho, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira, entidade proprietária da praça. “Acho que Vila Franca merece ter o Museu da Cultura Tauromáquica”, afirmou, enquadrando o projeto no momento em que a Palha Blanco assinala os seus 125 anos.
Segundo o provedor, existe já trabalho conjunto entre a Misericórdia e a autarquia com esse objetivo. “É isso que assinámos com a Câmara Municipal e que vamos projetar para o futuro”, afirmou.
Armando Jorge de Carvalho recorda que existia anteriormente um protocolo relacionado com a criação de um museu tauromáquico, mas considera que esse modelo foi ultrapassado. O objetivo passa agora por um conceito mais abrangente: “O que a Câmara vai fazer, efetivamente, connosco também, é o Museu da Cultura. Vamos tentar instalar o Museu da Cultura Tauromáquica nos espaços existentes ou noutros espaços que venham a surgir.”
Museu quer ir além da corrida de touros
Na reunião camarária, Fernando Paulo salientou igualmente que o conceito pretendido não se limita à corrida de touros ou aos seus protagonistas. O objetivo é representar a cultura tauromáquica de forma mais abrangente, incluindo os territórios e ecossistemas associados à criação do touro e as diferentes manifestações desta cultura.
A vereadora Marisa Durão, do Chega, questionou o executivo sobre a localização, o investimento global, a participação das entidades e personalidades ligadas à tauromaquia e a possibilidade de conferir particular destaque às esperas de touros, que classificou como uma das tradições mais marcantes da identidade vila-franquense.
Já David Pato Ferreira, da coligação Nova Geração, pediu esclarecimentos sobre a escolha do ISCTE, a localização do museu e o processo de designação da futura direção científica. Fernando Paulo justificou a opção pelo ISCTE pela experiência e prestígio da instituição na área dos estudos sociais e das políticas públicas, fazendo também referência à existência naquela universidade de um professor natural de Vila Franca de Xira com trabalho publicado nesta área. Durante a discussão, David Pato Ferreira identificou esse académico como Luís Capucha.
As dúvidas levantadas durante a reunião levaram mesmo à alteração do protocolo antes da votação. Ficou expressamente estabelecido que o museu será criado “no concelho de Vila Franca de Xira”, que a designação da direção científica dependerá de deliberação expressa da Câmara Municipal e que, nesta fase, será utilizada a designação “Museu da Cultura Tauromáquica”, em substituição de “Museu Nacional da Tauromaquia”.
Com estas três alterações, o protocolo foi aprovado por unanimidade.




