A comemorar 125 anos de existência, a Praça de Touros Palha Blanco prepara uma Feira de Outubro marcada pela celebração de uma data histórica. O Valor Local foi conversar com Bernardo Alexandre, responsável pela praça vilafranquense, para perceber o que representam as duas corridas que integram a programação deste aniversário, bem como o Concurso Internacional de Recortadores que encerra a feira.
Com propostas distintas para os dias 4, 6 e 10 de outubro, a programação cruza a história da Palha Blanco com alguns momentos de particular simbolismo, entre eles a passagem de testemunho no comando dos Forcados Amadores de Vila Franca. Pelo meio, há nomes portugueses e internacionais, diferentes ganadarias e uma aposta assumida em fazer dos 125 anos uma celebração à altura da ligação da praça à cidade.
Nesta entrevista ao Valor Local, Bernardo Alexandre explica as escolhas para cada uma das noites, fala da importância desta efeméride e revela a ambição com que encara a Feira de Outubro de 2026: que, no final da temporada, se diga que Vila Franca esteve entre os grandes palcos da tauromaquia.

Valor Local: Este ano celebram-se os 125 anos da Palha Blanco. O que torna esta Feira de Outubro diferente de todas as anteriores?
Bernardo Alexandre: Há 125 anos que esta praça faz parte da vida de Vila Franca e da tauromaquia mundial e este ano não íamos deixar passar em branco. Construímos um cartaz que junta dos melhores nomes da tauromaquia mundial em três noites, cada uma com a sua própria história. Não é só mais uma feira: é uma homenagem a um século e um quarto de história, e queremos que quem vier sinta isso.
VL: O cartaz está dividido em três noites bem diferentes entre si. Pode apresentá-las aos nossos leitores?
BA: Sim. A 4 de outubro, domingo, abrimos com a Corrida Comemorativa dos 125 Anos, uma tarde de homenagem, com toiros de três ganadarias importantes e alguns dos nomes mais em forma da temporada.
A 6, terça-feira à noite, é a Noite de Exaltação ao Forcado, com a passagem de testemunho do Cabo dos Forcados de Vila Franca.
A 10, sábado, fechamos em grande com o Concurso Internacional de Recortadores, Portugal, Espanha e França a disputar o título de Campeão dos Campeões.
VL: Comecemos por 4 de outubro. O que podem esperar os espectadores?
BA: Uma tarde à altura da data. Temos Daniel Luque, um dos toureiros mais criativos do momento. Este verão apresentou dois novos passes de capote e muleta, as Luquesinas Colombinas e A Rufina, e vem a Vila Franca no melhor momento da sua carreira.
A acompanhá-lo, dois cavaleiros que triunfaram nas principais Praças de Toiros em 2025 e 2026, o Campo Pequeno, a Moita, Santarém e muitas mais são testemunhas disso. Falamos de Miguel Moura e Tristão Ribeiro Telles. Pegam os toiros dois grupos de Forcados Amadores em competição, Montemor e Vila Franca. E os toiros vêm de três ganadarias de categoria: Murteira Grave, Sommer d’Andrade e Falé Filipe.

VL: A 6 de outubro há uma história muito humana no meio do cartaz…
BA: Há, e é uma das partes de que mais gosto neste programa. Nesta corrida, o Vasco Pereira vai entregar a chefia dos Forcados Amadores de Vila Franca ao Rodrigo Dotti, uma passagem de testemunho que fecha um ciclo e abre outro. É emocionante para quem segue o grupo há anos. No resto do cartaz, três cavaleiros que fecham a temporada em grande e que tiveram grandes actuações este ano em Vila Franca: João Salgueiro, João Moura Jr. e António Prates. Para uma noite com tamanha importância, uma ganadaria à altura: Veiga Teixeira.

VL: E a 10 de outubro, o Concurso Internacional de Recortadores?
BA: É provavelmente a noite mais espetacular do ano. Trazemos pela primeira vez em Portugal os recortadores mais titulados de sempre, os melhores do mundo, o espanhol David Ramírez ‘El Peque’ e o Jonathan Estébanez ‘El Peta’, ao lado do campeão francês dos quiebros, Henry Doulin, e de dois homens que fazem saltos mortais que parecem impossíveis, Jamal Chee e Said Emberik. Do lado português, temos uma antiga glória, o Kaly Cardoso, os vilafranquenses mais internacionais da modalidade, Fernando e Ruben Silva, além do regresso aos concursos de Vítor Rebelo.
Por último, há também uma despedida: Jonathan Castaño, recortador espanhol, diz adeus às arenas em Vila Franca, depois de 22 temporadas de carreira. Portugal, Espanha e França em disputa directa, um concurso de recortadores único no mundo inteiro!
VL: Porque é que vale a pena vir à praça?
BA: Porque isto não se repete. Um aniversário de 125 anos só acontece uma vez, e uma noite de passagem de testemunho como a dos Forcados só tem sentido vivida ao vivo, dentro da praça, com a bancada cheia e aquele ambiente único que só se vive em Vila Franca. São muitas emoções que só saberá descrever quem as vive. Venham fazer parte da história.
VL: Uma mensagem final para quem ainda não comprou bilhete, até porque sabemos que a procura tem sido muita?
BA: Não deixem para a última hora. A procura tem sido grande e os bilhetes já estão à venda no nosso site em palhablanco,pt e pelo telefone com o numero 927 002 555. A partir de 27 de Setembro na há bilhetes disponíveis na Praça de Toiros, Esta é uma feira que vai ficar na história da Palha Blanco e da tauromaquia portuguesa, por isso devem comprar os ingressos com atecendencia.




