O início de 2026 ficou marcado por uma sucessão de tempestades que provocaram milhões de euros em prejuízos em vários pontos do país e o Ribatejo, não foi exceção. Dentro de todas as dificuldades sentidas, os municípios de Alenquer, e Arruda dos Vinhos, foram alguns dos mais afetados. E foi nesse sentido, que o Valor Local procurou entender como estão esses locais seis meses depois destes episódios.
Sendo um dos municípios mais afetados, Alenquer estima cerca de 13,5 milhões de euros em danos e prejuízos. “Num primeiro momento foram consideradas prioritárias todas as intervenções destinadas a reduzir os constrangimentos causados à população, em particular as que afetam a circulação rodoviária, o acesso a localidades e habitações e as condições de segurança da rede viária municipal”, começa por explicar João Nicolau, presidente da Câmara Municipal.
Até ao momento, o município recebeu cerca de 761 mil euros em apoios. Deste montante, 611 mil euros foram transferidos pela Direção-Geral das Autarquias Locais para financiar as intervenções em curso, enquanto 150 mil euros, são provenientes do Fundo Ambiental, que foram destinados à limpeza de linhas de água. Ainda assim, João Nicolau considera que os apoios “ficam muito aquém do que seria expectável por parte do Governo, atendendo à dimensão dos prejuízos registados”.
Apesar das intervenções já realizadas em várias estradas, continuam por executar várias obras de recuperação. “Estamos a avançar com a estabilização de estradas como a ex-EN1 e a Municipal 1126, bem como a construção de muros de contenção em blocos de pedra de grande dimensão, pavimentação de arruamentos nos Casais do Bruxo e ainda a reconstrução da ponte da Fonte Nova, em Olhalvo.”
Entre toda a lista de trabalhos prontos a serem realizados ainda não inclui a Rua da Lage, uma das mais prioritárias e que ainda se encontra em contratação por “exigir soluções técnicas mais complexas”.
Entre os equipamentos municipais afetados está a Escola Básica de Aldeia Gavinha, “o único equipamento onde foram identificados danos de natureza estrutural”. Segundo o autarca, a gravidade dos danos torna inviável a recuperação do edifício, pelo que a solução passa pela sua demolição.
Para assegurar o arranque do próximo ano letivo, a Câmara Municipal está a adaptar um edifício existente em Aldeia Gavinha, em articulação com a União das Freguesias de Aldeia Galega da Merceana e Aldeia Gavinha. “As obras já estão a decorrer”, adianta.
Arruda dos Vinhos com 20 milhões de euros em prejuízos
Já no concelho de Arruda dos Vinhos, Carlos Alves, presidente da Câmara, explica que o primeiro passo se baseou na “mobilização dos serviços municipais e na necessidade de reorganizar prioridades”. Nestes seis meses, foram estabilizados acessos em zonas de risco, no entanto, “a reconstrução está longe de concluída.” Em Arruda dos Vinhos o município estima que os prejuízos ultrapassem os 20 milhões de euros, que incluem estradas destruídas, empresas sem acessos, pessoas sem habitação e com forte impacto na atividade “agrícola, industrial e logística” no concelho.
Apesar de todos os apoios do Governo, o município tem vindo a alertar que não serão suficientes para mitigar o problema. “Desde o primeiro momento alertámos para o valor dos prejuízos. E nem sequer sabíamos com rigor o valor dos apoios — que, aliás, continuamos sem conhecer com exatidão”.
Até então foram disponibilizados cerca de 580 mil euros, que “não correspondem nem de perto nem de longe à dimensão real dos danos”. Além disso, município desbloqueou 3,8 milhões de euros destinados à recuperação dos danos causados pelas tempestades. Este empréstimo é destinado a financiar obras de recuperação de cariz mais urgente. “Mesmo com este valor continuamos muito longe do necessário”.
Entre os casos mais relevantes continuam os troços da Nacional 115 afetados por movimentos de terras e instabilidade de taludes, bem como intervenções previstas na Nacional 248. Neste momento, as intervenções estão a acontecer de forma faseada e podem demorar até 2027, até estarem concluídas.
Além das estradas, muitas habitações foram afetadas e até hoje, “temos famílias que não puderam regressar às suas casas, embora o número esteja a reduzir”. Uma das soluções para estas famílias passou pelo realojamento temporário com encaminhamento para programas de apoio à habitação. “Neste momento, temos cerca de 15 pessoas fora das suas habitações. O objetivo é garantir que todas recuperem condições de vida dignas e estáveis.”




