O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, apelou estaquinta-feira para que a população evite circular na via pública a partir das 17 horas, face ao risco acrescido de cheias no concelho, resultante da conjugação das descargas das barragens espanholas no rio Tejo com a maré alta prevista para o final da tarde.
Segundo explicou o autarca, a informação recebida durante a manhã indicava um aumento significativo do volume de água libertado por Espanha, superior ao inicialmente previsto, o que levou o município a antecipar a chegada dessa massa de água ao concelho ao final da tarde. A previsão aponta para que esse caudal chegue por volta das 17 horas, coincidindo com a maré cheia do Tejo cerca de uma hora depois, criando um cenário particularmente sensível e difícil de antecipar.
Perante este contexto, o município decidiu ativar o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil, acionando todos os meios disponíveis e adotando um conjunto de medidas preventivas destinadas a reduzir riscos para pessoas e bens. Fernando Paulo Ferreira sublinhou que não existe um histórico recente de uma situação em que estes dois fatores ocorram em simultâneo com esta intensidade, o que aumenta o grau de incerteza quanto ao comportamento do rio nas próximas horas.
Entre as decisões tomadas está o encerramento das escolas do concelho durante a tarde. As crianças poderão almoçar nos estabelecimentos de ensino, mas as atividades letivas serão suspensas a partir desse período. O objetivo passa por diminuir significativamente a circulação de pessoas na via pública numa fase do dia considerada crítica, prevenindo eventuais situações de risco e facilitando a atuação dos meios de socorro.

Também as atividades desportivas e culturais serão encerradas ao final da tarde. O município está a contactar clubes, associações e coletividades no sentido de suspenderem treinos, jogos e iniciativas culturais, evitando deslocações desnecessárias, sobretudo de crianças acompanhadas pelos pais. Esta medida pretende igualmente garantir que os bombeiros, forças de segurança e restantes entidades de proteção civil possam circular com maior facilidade nas zonas potencialmente afetadas.
O presidente da Câmara deixou ainda recomendações específicas às populações que residem em zonas ribeirinhas. Estas incluem a salvaguarda de bens, nomeadamente a retirada de eletrodomésticos e objetos do chão, a elevação de materiais suscetíveis de danos e a não permanência de viaturas em garagens ou áreas baixas que possam ser inundadas. Bombeiros e juntas de freguesia encontram-se no terreno a contactar diretamente estas populações, prestando esclarecimentos e acompanhando a evolução da situação.
No que diz respeito aos equipamentos municipais, a autarquia decidiu encerrar mais cedo todos os espaços culturais localizados em áreas sensíveis à subida das águas. Entre estes encontram-se a Fábrica das Palavras, o Núcleo Museológico da Póvoa de Santa Iria e o Museu Municipal. Segundo Fernando Paulo Ferreira, a decisão não se prende com danos diretos nos edifícios, mas com a possibilidade de os acessos ficarem condicionados, podendo deixar pessoas isoladas no interior desses equipamentos.
O autarca reforçou que a principal mensagem a transmitir à população é de prudência e colaboração. A partir das 17 horas, o apelo é para que as pessoas permaneçam em casa sempre que possível, evitem deslocações desnecessárias e respeitem todas as indicações das autoridades. “O objetivo é permitir que os nossos meios de socorro, bombeiros e forças de segurança possam atuar com maior eficácia num final de tarde que será atípico e exigente”, afirmou.




