O presidente da União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, Carlos Gonçalves, manifestou-se publicamente contra a introdução de estacionamento pago em Alverca do Ribatejo, considerando que a medida “carece de maturidade técnica, eficácia de planeamento e justiça social”.
Numa longa publicação nas redes sociais, o autarca sustenta que o estacionamento tarifado “deve funcionar exclusivamente como ferramenta de indução de transferência modal”, promovendo o transporte público e a rotatividade comercial, mas critica o facto de a medida avançar sem alternativas estruturais de mobilidade.
Carlos Gonçalves defende que “as medidas restritivas ou punitivas nunca devem ser aplicadas de forma isolada” e aponta a ausência de parques dissuasores, parques estruturados e melhorias na rede de transportes públicos como uma das principais falhas do processo.
O presidente da junta considera que, nas condições atuais, a tarifação do estacionamento “transforma a tarifa num elemento puramente penalizador”, afetando sobretudo os moradores das zonas mais antigas da cidade, onde muitos edifícios não possuem garagem.
Na publicação, o autarca refere ainda que a medida poderá penalizar famílias de rendimentos médios e baixos e população idosa, numa altura em que “a inflação e a perda de poder de compra” continuam a afetar os agregados familiares.
Carlos Gonçalves alerta também para aquilo que diz ser a ineficácia da medida na redução do uso do automóvel, devido à falta de alternativas viáveis de transporte público entre Alverca, Sobralinho e os diferentes bairros da cidade.
Segundo o presidente da união de freguesias, o estacionamento pago poderá ainda provocar um “efeito de transbordo”, empurrando os veículos para ruas periféricas não tarifadas e aumentando os conflitos entre moradores.
Outra das preocupações apontadas prende-se com o impacto no comércio local. O autarca entende que “a introdução de barreiras financeiras ao estacionamento à porta do comércio local gera um desvio imediato do consumo para as grandes superfícies comerciais periféricas”, prejudicando os pequenos comerciantes.
Carlos Gonçalves lamenta igualmente que a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira não tenha ouvido a junta de freguesia no processo de definição da medida, defendendo que deveriam ter existido mais diálogo e concertação com os eleitos locais e com a população antes de avançar com a proposta.




