“Não cheguei agora e lembrei-me que queria defender Benavente, já o fazia”. A visão e as dificuldades do atual mandato de Ivete Mateus, presidente da Junta da Freguesia de Benavente.
A vida política de Ivete Mateus iniciou-se muito antes de se tornar presidente da Junta da Freguesia de Benavente. O serviço à comunidade, segundo afirma, começou há 33 anos, quando Ivete Mateus ingressou nos escoteiros de Benavente. “Este desejo de servir, estar próxima e ouvir a comunidade sempre foi algo que esteve em mim. Por isso, a vida política surgiu de forma natural”, salienta ao Valor Local.
Além das atividades habituais, foi também nos escoteiros que ganhou o hábito de frequentar assembleias municipais, mas foi só em 2017, que acabou por ser convidada a participar numa lista. “Como na altura já não concordava com o que acontecia na freguesia, decidi aceitar. No fundo, sentia que a freguesia estava esquecida.” Sempre pelo PSD, de 2017 a 2021, Ivete Mateus acabou por se tornar cabeça da lista e em 2025, aos 49 anos, recandidatou-se e venceu as eleições. “Foi um percurso natural. Não cheguei agora e lembrei-me que queria defender Benavente, já o fazia.”
O mandato arrancou oficialmente a 12 de outubro de 2025 e desde então a nova presidente já sentiu algumas dificuldades. Um dos maiores, prende-se com as limitações financeiras. “O orçamento está adstrito a situações e contratos que herdámos e não podemos mudar isso”. A limpeza urbana é uma das suas preocupações. “O contrato foi mal negociado. Tínhamos 9 cantoneiros de limpeza (assistentes operacionais) e agora temos uma equipa de sete. Se antes já não era suficiente, agora muito menos.”
Um dos objetivos passa por alterar a metodologia de trabalho da junta da Freguesia, que na opinião de Ivete Mateus, não acompanha as necessidades do século XXI. Um dos exemplos passa pelo processo de pagamento do registo e licenciamento de canídeos e felinos. “Antes esse pagamento era feito presencialmente e claro, resultava em grandes filas. Além disso, as pessoas estavam sempre condicionadas ao nosso horário de funcionamento e nem sempre o horário laboral coincide. Por isso, decidimos adotar referências multibanco, que queremos estender a outras áreas, nomeadamente, à documentação respeitante aos feirantes com vista aos mercados realizados na freguesia.”
Além disso, vão ainda ser adicionadas duas salas de atendimento nas zonas mais afastadas da freguesia, na Coutada Velha e Foros da Charneca. “Queremos estar próximos das pessoas, ouvi-las e solucionar os seus problemas.” Os atendimentos vão ser feitos por marcação prévia. “Algo que sempre defendi é estar nos locais, mesmo que não seja a minha competência. Tenho a obrigação moral e ética de lutar pelos interesses das pessoas e chegar às entidades competentes.”
No entanto, Ivete Mateus apresenta ainda outros objetivos: “Quero aproximar a população à história da freguesia, de forma descontraída.” E este desejo resultou em dois projetos, até ao momento: As Aventuras de Bena&Nono, na vertente da cidadania e a primeira Gala do Foral na Feira Medieval. “A função de um presidente de junta passa por valorizar a história e a identidade locais. Por isso, fizemos algumas representações históricas de momentos importantes na nossa história, desde a importância dos campos agrícolas, às visitas do Rei D. Sancho a Benavente. A ideia é continuar.”




