A Associação Social Amigos de Samora Correia (ASASC) exige a reposição das juntas médicas na freguesia no prazo máximo de 30 dias e o regresso progressivo do atendimento presencial da Segurança Social, até atingir os cinco dias úteis por semana em junho de 2027. As reivindicações constam de um manifesto dirigido à diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Santarém, Paula Carloto de Castro, no qual a associação critica a degradação dos serviços públicos numa localidade em crescimento populacional e empresarial.
O documento, datado de 24 de outubro, surge na sequência do encerramento do Serviço Local da Segurança Social de Samora Correia durante cerca de três meses, situação que, segundo a associação, prejudicou centenas de cidadãos, empresas, trabalhadores, pensionistas, desempregados e famílias em situação de vulnerabilidade. A ASASC considera insuficiente a solução atualmente apresentada, que prevê atendimento presencial apenas um dia por semana, defendendo que a dimensão da freguesia exige uma resposta mais abrangente.
Segundo os números apresentados no manifesto, Samora Correia conta atualmente com cerca de 20 mil habitantes e mais de 1.200 empresas em atividade, sendo apontada como uma das localidades com maior crescimento populacional e empresarial do distrito de Santarém. Para a associação, esta realidade deveria traduzir-se num reforço da presença dos serviços públicos, e não numa redução da sua capacidade de resposta.
Uma das principais preocupações prende-se com a transferência das juntas médicas para Santarém, obrigando os utentes a deslocações superiores a 50 quilómetros. A associação considera que esta medida penaliza particularmente pessoas com incapacidade, problemas de saúde, mobilidade reduzida ou dificuldades económicas, agravadas pela limitada oferta de transportes públicos.
No manifesto, a ASASC defende que existem condições em Samora Correia para voltar a realizar as juntas médicas, sem necessidade de aumentar os encargos da Segurança Social.
A associação exige, por isso, que estas avaliações regressem à freguesia no prazo máximo de 30 dias, abrangendo os beneficiários de Samora Correia e das áreas envolventes.
Atendimento três dias por semana até ao final do ano
Além do regresso das juntas médicas, o manifesto estabelece dois prazos para a recuperação do atendimento presencial. O primeiro aponta para o alargamento do serviço a um mínimo de três dias por semana até 31 de dezembro de 2026. Numa segunda fase, a associação pretende que o atendimento regular e permanente seja reposto durante os cinco dias úteis da semana, até 30 de junho de 2027. A ASASC rejeita que os cidadãos tenham de depender dos serviços existentes em Benavente ou noutros concelhos para tratar de assuntos relacionados com a Segurança Social, considerando que esta situação compromete o princípio da proximidade dos serviços públicos.
O documento chama particularmente a atenção para as dificuldades enfrentadas por quem não possui viatura própria, depende de transportes públicos ou dispõe de baixos rendimentos.
Associação critica falta de planeamento e dificuldades no recrutamento
A falta de recursos humanos é outro dos problemas identificados pela associação, que reconhece as dificuldades enfrentadas pela Segurança Social, mas considera que estas não podem continuar a justificar a redução dos serviços prestados à população. No manifesto, a ASASC responsabiliza opções de gestão e políticas públicas que, no seu entender, não acompanharam o crescimento das necessidades da população.
A associação critica também os mecanismos de recrutamento da Administração Pública, que considera excessivamente dependentes da mobilidade interna, dificultando a entrada de profissionais qualificados disponíveis no mercado de trabalho.
Entre as soluções defendidas está a possibilidade de celebrar contratos-programa entre a Segurança Social e o Município de Benavente para reforçar temporariamente os recursos humanos afetos ao atendimento. O manifesto propõe ainda a criação de mecanismos de cooperação institucional que garantam a continuidade dos serviços em situações críticas, a revisão das regras de recrutamento e a valorização profissional e remuneratória dos trabalhadores da Administração Pública.
A associação reconhece a disponibilidade demonstrada pelo Município de Benavente para colaborar na procura de soluções, mas considera que cabe agora à Segurança Social e ao Governo assumir responsabilidades.
Segurança Social chamada a assumir compromissos públicos
Dirigindo-se à diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Santarém, Paula Carloto de Castro, a ASASC agradece a disponibilidade para ouvir as instituições, empresários, técnicos e cidadãos de Samora Correia, mas sublinha que esse diálogo deve traduzir-se em medidas concretas. “Mas ouvir não basta. É necessário agir”, afirma o manifesto.
A associação solicita que a Segurança Social assuma publicamente o compromisso de recuperar o funcionamento normal do serviço local e de devolver as juntas médicas à freguesia.
Defende igualmente que a população seja informada, de forma clara e transparente, sobre as medidas a implementar e os respetivos prazos de concretização.




