Quando discuti a urgência da gestão de biorresíduos no concelho de Azambuja, olhei para o desafio logístico e para a necessidade premente de infraestruturas públicas adequadas para esse feito. Hoje, com a recolha seletiva de biorresíduos já implementada em Azambuja (colocação de contentores castanhos em pelo menos 24 ruas/bairros em junho de 2026), o foco muda um pouco de cenário: a responsabilidade deixa de estar apenas no município e passa diretamente para as nossas mãos, nas nossas casas.
Uma das razões para que o sistema de recolha falhe é a ineficiência da triagem na origem, levando a elevadas taxas de contaminação tanto nos contentores de resíduos indiferenciados (“lixo comum”) como nos de orgânicos. Não basta ter o contentor castanho perto de casa ou o balde castanho para a recolha seletiva de biorresíduos porta-a-porta, é preciso mudar mentalidades e comportamentos, tais como o gesto automático de juntar tudo no saco do lixo comum. A contaminação nos contentores é também, portanto, da responsabilidade de quem produz, por exemplo os munícipes nas suas casas e os funcionários dos estabelecimentos alimentares.
Se for tudo separado por tipologia para o respetivo fluxo como deve ser feito, o saco dos resíduos indiferenciados passa a estar quase sem nada, ou até mesmo vazio. Talvez, em vez de ter dois sacos – um para o novo fluxo de resíduos orgânicos e outro para o do lixo comum – terá apenas um correspondente ao dos orgânicos. Em termos logísticos, só vejo vantagens.
Citando a introdução do livro Desperdício alimentar de Iva Pires, “Se em minha casa se estragar uma laranja numa semana, porque se compraram demasiadas e uma acabou por apodrecer, (…) deitaram-se para o lixo em Portugal cerca de 323 toneladas de laranjas, e por ano 16 800 toneladas.”, tendo em conta o número de famílias no país.
A correta separação dos resíduos domésticos exige apenas alguns segundos de reflexão antes do seu descarte. O ato de separar os resíduos que produzimos em casa não é um favor que fazemos à autarquia, é um dever cívico com impacto direto no ambiente e na pegada ecológica da nossa comunidade, possibilitando que esses resíduos sejam então passíveis de serem reciclados e reintegrados na cadeia de valor e nos ciclos naturais, regressando à terra como recurso e não como simples desperdício. O concelho de Azambuja deu mais um passo logístico necessário na gestão de resíduos; cabe agora, aliado às iniciativas de sensibilização ambiental que o concelho tem vindo a fazer (e que é preciso reforçar) junto da população, a cada munícipe assumir e continuar o seu papel de agente ativo da economia circular.




