A Doença Renal Crónica (DRC) tem uma elevada prevalência, estimando-se que afete uma em cada 10 pessoas, em todo o mundo. Em Portugal, a prevalência é ainda mais elevada, e dados de 2020 mostram uma prevalência de 20%. Em 2040, mantendo-se a tendência prevê-se que a DRC possa ser a 5ª causa mais frequente de morte prematura.

Os rins são responsáveis por “purificar” o sangue, eliminando várias substâncias nocivas, removendo o excesso de líquidos e outras substâncias presentes na nossa alimentação, nomeadamente sódio e potássio. Quando os rins começam a funcionar mal, os líquidos podem-se acumular, podendo o doente desenvolver cansaço, falta de ar e edema (“inchaço”) das pernas. Além disso o excesso de potássio ou fósforo também têm efeitos nocivos para o nosso organismo. O rim participa ainda na produção de glóbulos vermelhos, portanto quando os rins deixam de trabalhar os doentes desenvolvem anemia.

A DRC apresenta diferentes fases, desde ligeira, a moderada e grave. Na fase final da doença os doentes necessitam de uma terapêutica que substitua a função renal: diálise peritoneal, hemodiálise ou transplante renal. Em doentes mais frágeis pode ser benéfico optar por uma terapêutica conservadora, proporcionando mais conforto ao doente.
São vários os fatores que contribuem para o desenvolvimento de DRC, nomeadamente a hipertensão arterial, diabetes, obesidade e tabagismo. Alguns medicamentos também contribuem para estragar os rins como os anti-inflamatórios, devendo o seu uso ser muito limitado. Em alguns casos a DRC é de origem familiar (hereditária).

Para um diagnóstico atempado da DRC é necessário saber quais os fatores que levam ao aparecimento da doença e quais os sintomas mais comuns. Infelizmente, os rins não doem na maioria dos casos de DRC. Não há um sintoma único e inequívoco que alertem as pessoas que os seus rins estão a ficar doentes. As dores lombares que algumas pessoas referem como “dores nos rins” são habitualmente dores musculares ou da coluna vertebral (a exceção são as cólicas renais, causadas por “pedra” no rim).

A DRC é silenciosa e apresenta sintomas pouco específicos, como a tensão arterial elevada, edema (“inchaço”) dos membros inferiores ou peri-orbitário, cansaço, falta de apetite e alterações na urina (ex: urina espumosa, sangue na urina). As alterações urinárias são mais frequentemente microscópicas e são apenas detetadas em análises de rastreio.

Doentes com diabetes, hipertensão arterial, obesidade ou história familiar de doença renal, devem realizar análises de rotina ao sangue para avaliar o funcionamento dos rins (ureia e creatinina) e análise da urina. O objetivo de diagnosticar a DRC precocemente é prevenir que a doença progrida rapidamente, impedindo assim que chegue a estádios terminais com necessidade de realizar uma técnica de substituição da função renal.

Mas, mais importante que diagnosticar precocemente a DRC, é prevenir o seu aparecimento. Adote um estilo de vida saudável: pratique exercício, evite ter excesso de peso, vigie o açúcar no sangue, tenha uma dieta equilibrada, beba água, avalie a tensão arterial regularmente, deixe de fumar e tome apenas medicamentos prescritos pelo seu médico.

Ana Azevedo, diretora do Serviço de Nefrologia

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