A Fábrica de Água de Alcântara, em Lisboa, recebeu mais de 600 participantes na 10.ª edição do Caminho da Inovação, uma iniciativa promovida pela Águas do Tejo Atlântico que colocou em debate os principais desafios que se apresentam ao setor da água. Sob o mote “O Futuro da Água Não é Óbvio”, o encontro reuniu cerca de 15 oradores nacionais e internacionais e 30 expositores, num programa dedicado à inovação, sustentabilidade e resiliência das infraestruturas.
Realizado em 2025, o evento juntou especialistas, empresas, representantes de entidades públicas e instituições académicas, procurando identificar respostas para os efeitos das alterações climáticas, a crescente pressão sobre os recursos hídricos e a necessidade de modernizar os sistemas de abastecimento e saneamento.
A iniciativa procurou também estimular uma reflexão sobre os modelos tradicionais de gestão da água, defendendo a importância de incorporar novas tecnologias, conhecimento científico e soluções que permitam aumentar a eficiência dos sistemas e promover uma utilização mais circular dos recursos.
Resiliência das infraestruturas em destaque
A sessão de abertura esteve a cargo do presidente da Águas do Tejo Atlântico, Cláudio de Jesus, seguindo-se uma intervenção de Piers Clark, fundador da Isle Utilities, que apresentou uma perspetiva internacional sobre os desafios do setor e o papel da inovação na preparação das infraestruturas para o futuro.
Um dos principais momentos do encontro foi dedicado ao tema “Resiliência das Infraestruturas e o Papel da Inovação”, que contou com a participação do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, de Giorgios Sachinis, da empresa grega EYDAP, e do presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala.
Em discussão estiveram as respostas necessárias para assegurar a continuidade e a eficiência dos serviços de água perante fenómenos climáticos extremos, exigências ambientais e desafios associados à gestão das infraestruturas.
Durante a tarde, os trabalhos foram retomados com uma intervenção do secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves.
Transformação digital e alterações climáticas marcaram debates
A transformação digital das empresas responsáveis pelos serviços de água constituiu outro dos eixos centrais da iniciativa.
No Auditório 1, a sessão “Transformação Digital nas Utilities: da ambição à execução” abordou os desafios da implementação de novas ferramentas tecnológicas e o seu contributo para melhorar a gestão operacional, a eficiência e a capacidade de resposta das entidades gestoras.
Entre os participantes estiveram Nadine Zerrini, da norte-americana DC Water, e Luísa Leite Faria, da EDP, que partilharam experiências relacionadas com a aplicação de soluções digitais em setores de infraestruturas essenciais.
Em paralelo, no Auditório Água Mãe, foram analisadas outras dimensões da gestão dos recursos hídricos, nomeadamente os impactos das alterações climáticas na saúde pública, a utilização de soluções digitais avançadas e a otimização dos processos de produção de lamas nas estações de tratamento de águas residuais.
O encontro contou ainda com uma área de exposição e contactos profissionais, na qual participaram 30 entidades, que apresentaram tecnologias, equipamentos e projetos orientados para a eficiência, sustentabilidade e circularidade no setor da água.
Águas do Tejo Atlântico serve vários concelhos da região
A entidade assegura o tratamento de águas residuais provenientes de uma população de cerca de 2,4 milhões de habitantes, abrangendo 23 municípios, entre os quais Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira, concelhos integrados na área de cobertura do Valor Local.
Com dez edições realizadas, o Caminho da Inovação consolidou-se, segundo nota de imprensa da organização, “como um espaço de partilha de conhecimento entre empresas, investigadores e decisores públicos, procurando contribuir para a identificação de soluções que permitam tornar a gestão da água mais sustentável e preparada para os desafios das próximas décadas.”




