Igor Crispim, de 42 anos, está desaparecido desde a tarde de sexta-feira, 2 de outubro, depois de ter saído do Hospital de Vila Franca de Xira. Sem telemóvel e sem dinheiro, não regressou a casa, em Alcoentre, e a família tem realizado buscas por conta própria na zona de Vila Franca de Xira e arredores. Ao Valor Local, Wilson Crispim, sobrinho de Igor, critica a falta de informação por parte da unidade hospitalar e a resposta que considera insuficiente de várias entidades, salvaguardando a atuação da GNR de Aveiras de Cima, que diz ter demonstrado verdadeiro interesse no acompanhamento do caso.
Segundo Wilson Crispim, Igor saiu do Hospital de Vila Franca de Xira pelas 15h23 do dia 2. Desde então, a família não voltou a ter notícias suas. O facto de ter saído sem telemóvel e sem dinheiro aumenta a preocupação dos familiares, que admitem, ao mesmo tempo, a possibilidade de Igor não ter conseguido deslocar-se para muito longe.
A Junta de Freguesia de Alcoentre divulgou entretanto um apelo à população, pedindo a quem tenha alguma informação sobre o paradeiro de Igor ou o tenha visto desde sexta-feira que contacte, com a maior brevidade possível, a GNR de Aveiras de Cima-263 470 220.
“Toda a informação pode ser importante”, salienta o apelo, que pede igualmente a partilha da informação para que esta possa chegar ao maior número possível de pessoas.
Família faz buscas por conta própria
Wilson Crispim explicou ao Valor Local que os familiares têm realizado buscas por iniciativa própria em Vila Franca de Xira e zonas circundantes, tentando perceber por onde Igor poderá ter seguido depois de sair do hospital.
A preocupação da família é acrescida pelo seu historial de saúde. Segundo Wilson, Igor sofre de ataques epiléticos e tem sido sucessivamente assistido e internado na sequência desses episódios. O familiar refere que, nessas alturas, podem também ocorrer alterações de comportamento e episódios de maior agitação.
A família desconhece, contudo, as circunstâncias concretas em que Igor deixou o Hospital de Vila Franca de Xira. Wilson Crispim afirma não saber se lhe foi formalmente dada alta clínica ou se terá saído por sua iniciativa, eventualmente mediante assinatura de um termo de responsabilidade.
O familiar critica a falta de informação que diz ter recebido da unidade hospitalar e afirma que a família continua sem conseguir esclarecer exatamente em que condições Igor deixou o hospital. O Valor Local contactou a ULS Estuário do Tejo e aguarda respostas sobre este caso.

Família procura solução de acompanhamento
Wilson Crispim descreve também uma situação social particularmente difícil. Segundo relata, Igor vive sozinho, em Alcoentre, em condições que classifica como “sub-humanas”, dispondo de uma rede familiar próxima reduzida, constituída essencialmente por um irmão e um filho.
Wilson Crispim afirma ainda que a situação em que Igor vive não é desconhecida das entidades. Segundo o familiar, assistentes sociais e até uma oficial de justiça já tiveram conhecimento das condições existentes na habitação, que descreve como profundamente degradadas e incompatíveis com as necessidades de uma pessoa que, no entendimento da família, revela dificuldades em cuidar autonomamente de si própria. Fotografias facultadas ao Valor Local mostram, nomeadamente, instalações sanitárias num avançado estado de degradação e falta de higiene. Wilson lamenta que, apesar de várias entidades conhecerem a realidade, a família não tenha sentido uma intervenção capaz de alterar a situação.
A família pretende encontrar uma solução que permita um acompanhamento mais permanente e está a tentar avançar com um processo de maior acompanhado. Os familiares gostariam igualmente que Igor pudesse beneficiar de uma resposta institucional que lhe garantisse melhores condições e acompanhamento regular, embora, segundo Wilson, o próprio se oponha à institucionalização. O familiar deixa ainda críticas à resposta dos serviços de ação social da Câmara Municipal, considerando que a situação de Igor não tem merecido a atenção necessária.
Também a atuação da PSP é alvo de fortes críticas por parte de Wilson Crispim. O familiar classifica o acompanhamento que diz ter recebido como “deplorável” e relata que, numa das abordagens, lhe terá sido dito: “Você sabe lá se o seu familiar quer que saiba onde ele está”.
Em sentido contrário, Wilson destaca a atuação da GNR de Aveiras de Cima, que considera ter sido a força de segurança que mostrou verdadeiro interesse em acompanhar o desaparecimento e as preocupações da família.
Apelo à população
As buscas prosseguem e a família espera que a divulgação pública possa ajudar a reconstruir os movimentos de Igor Crispim depois das 15h23 de sexta-feira.
O facto de Igor ter deixado o hospital sem telemóvel e sem dinheiro leva os familiares a considerar particularmente importante qualquer testemunho de quem possa tê-lo visto na zona de Vila Franca de Xira ou nas localidades próximas.
Qualquer pessoa que tenha visto Igor Crispim ou disponha de informações que possam ajudar a determinar o seu paradeiro deverá contactar a GNR de Aveiras de Cima através do número 263 470 220. Mesmo uma informação aparentemente pouco relevante poderá ajudar a perceber o percurso feito por Igor depois de sair do hospital.




