A vereadora do PSD na Câmara Municipal de Azambuja, Margarida Lopes, considera que o executivo PS/CDU continua sem apresentar uma estratégia de fundo para o desenvolvimento do concelho, acusando a maioria socialista de se limitar à “gestão corrente” e de falhar na concretização de projetos estruturantes.
Em entrevista ao Valor Local, a também presidente da concelhia social-democrata faz um balanço crítico do primeiro ano de mandato autárquico, defendendo que o município atravessa uma fase de pouca ambição política apesar da capacidade financeira existente.
“Continuamos sem grandes projetos estruturantes, sem projetos de fundo, sem projetos com visão para o concelho. Continuamos no tapa-buracos, muito show-off, muito para as redes sociais, mas depois, quando vamos verificar in loco, projetos grandes, não temos nada”, afirma.
Para Margarida Lopes, o executivo liderado pelo PS tem privilegiado medidas de gestão corrente em detrimento de investimentos transformadores. A vereadora considera mesmo que a autarquia “não tem falta de dinheiro”, faltando antes capacidade de decisão e vontade política para avançar com projetos estruturantes. “Limitamo-nos à gestão corrente do dia a dia. Acho que podíamos avançar e ir um bocadinho mais longe”, refere.
Apesar de o PSD contar apenas com dois vereadores sem pelouro, Margarida Lopes defende que o partido conseguiu marcar o mandato através de várias propostas aprovadas por unanimidade em reunião de câmara.
Projetos estruturantes “foram apresentados pelo PSD”
Por outro lado, “se começarmos a pensar, os grandes projetos estruturantes aprovados desde outubro até agora foram propostas do PSD”, sustenta. Entre as principais bandeiras apresentadas pelos sociais-democratas surge a requalificação da Escola Secundária de Azambuja, um processo que a vereadora considera prioritário e que, acusa, perdeu vários anos devido a hesitações do município.
“Houve muitas lacunas ao longo dos últimos anos. Já tivemos um projeto aprovado para a requalificação da escola e depois a Câmara voltou atrás porque faltava o projeto do pavilhão. Perdeu-se tempo”, critica. Isto apesar de o Governo atual ser da mesma cor partidária da vereadora.
A autarca admite que a candidatura aos fundos comunitários para a requalificação da escola já foi submetida, mas teme que as verbas nacionais disponíveis não cheguem para todos os estabelecimentos candidatos.
Outra das áreas onde o PSD tem insistido é a segurança. Margarida Lopes considera que o aumento da criminalidade registado nos últimos anos no concelho justifica uma resposta mais musculada, defendendo medidas como videovigilância nas zonas escolares e junto à estação ferroviária, além da possibilidade de criação de uma polícia municipal.
“O único concelho aqui à volta onde a criminalidade subiu foi Azambuja”, afirma, apontando dados do RASI relativos aos últimos anos.
A vereadora social-democrata volta também a defender a necessidade de reforçar a presença das forças de segurança no Alto Concelho, admitindo mesmo a importância de reabrir um posto da GNR naquela zona do território.
“Não podemos ficar à espera e que as coisas nos caiam do colo. Se for preciso, temos de ser chatos e ir bater à porta do Governo”, refere.
Margarida Lopes critica ainda a excessiva dependência do concelho em relação à logística, defendendo que Azambuja precisa de atrair outro tipo de investimento empresarial, mais qualificado e com melhores salários.
“Gostava de captar outro tipo de empresas que oferecessem mais-valias e melhores ordenados, porque acho que a nossa população merece mais”, afirma.
A líder da concelhia social-democrata considera igualmente que o crescimento da logística não foi acompanhado pelas necessárias infraestruturas rodoviárias, alertando para o aumento do tráfego pesado em zonas urbanas do concelho.
Autarca diz que conseguiu unir a concelhia laranja
Margarida Lopes fala ainda sobre a liderança interna do PSD concelhio e os desafios que encontrou ao assumir a presidência da estrutura. A social-democrata considera que o partido vive atualmente um momento de maior estabilidade interna, sublinhando que grande parte das pessoas que estiveram em listas adversárias acabaram por integrar a atual dinâmica partidária. “Hoje temos um partido unido e toda a gente está a trabalhar em prol do concelho”, garante.
A vereadora recorda também que foi a primeira mulher a liderar a concelhia social-democrata de Azambuja em eleições diretas, classificando a experiência como “um desafio positivo”, apoiado numa equipa que considera motivada e próxima da população.
Questionada sobre um eventual futuro político e uma possível candidatura à presidência da Câmara em 2029, Margarida Lopes não fecha a porta, embora procure deixar a decisão dependente das estruturas internas do partido.
“Qualquer candidatura do PSD terá sempre de ser discutida pela comissão política e pelas estruturas distritais”, refere, admitindo, ainda assim, acreditar que o PSD está cada vez mais próximo de conquistar a Câmara Municipal de Azambuja.
“Não perdemos a esperança. Nós sabemos que vamos ganhar nas próximas eleições”, conclui.




