O projeto de criação do Museu da Cultura Tauromáquica em Vila Franca de Xira deu mais um passo com a assinatura, no dia 21 de outubro, de um protocolo entre a Câmara Municipal e o Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do ISCTE. O acordo, com a duração de um ano e um investimento municipal de cerca de 15 mil euros, pretende definir as bases científicas e museológicas de um equipamento que poderá vir a ser instalado na Praça de Touros Palha Blanco.
Na cerimónia de assinatura, realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira, considerou que o projeto representa um contributo para a valorização da cultura tauromáquica. “Estamos a fazer um trabalho de dignificação e de certo modo de conferir inteligência também à forma como se olha para a cultura tauromáquica em todas as suas dimensões”, afirmou.
O autarca destacou a coincidência entre o desenvolvimento deste projeto, os 125 anos da Praça Palha Blanco e a discussão pública sobre a classificação da corrida de touros como património cultural imaterial nacional.
A localização do museu continua por definir formalmente, embora a Palha Blanco seja a hipótese privilegiada. Fernando Paulo Ferreira confirmou que a autarquia mantém contactos com a Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira, proprietária do edifício, e que já existe uma parceria destinada a preparar a instalação do equipamento.
Esta possibilidade tinha sido igualmente confirmada ao Valor Local pelo provedor da instituição, Armando Jorge de Carvalho, que defendeu a criação de um museu com uma abordagem mais abrangente à cultura tauromáquica, aproveitando os espaços existentes na praça ou outros que possam vir a ser disponibilizados.
O presidente da Câmara salientou ainda que o interesse pelo futuro museu está a incentivar a entrega de património à autarquia, através de doações e depósitos. Referiu o espólio reunido pela Associação Culta, já à guarda do município. Na reunião de setembro, tinha igualmente revelado a disponibilidade do matador de touros Vítor Mendes para ceder parte significativa da sua coleção.
O conceito museológico deverá ultrapassar a história das corridas de touros, abrangendo outras dimensões culturais, sociais e territoriais da tauromaquia. O envolvimento do ISCTE pretende conferir suporte científico ao projeto e acelerar a definição do programa funcional e curatorial.
Apesar deste avanço, continuam por conhecer os espaços concretos que o museu poderá ocupar e o investimento global necessário à sua concretização. Os 15 mil euros agora previstos destinam-se apenas à fase preparatória.
Fernando Paulo Ferreira considera que o projeto ultrapassa o interesse municipal. “Não é uma oportunidade para a Câmara de Vila Franca, não é uma oportunidade para o concelho de Vila Franca, mas é uma oportunidade para a cultura tauromáquica do nosso país”, afirmou, defendendo que chegou o momento de acelerar os trabalhos para tornar o museu uma realidade.




