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Presidente da República inaugura exposição do Cartoonista António

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi o convidado de honra na inauguração da exposição do cartoonista António, este domingo. O convite partiu do presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira, que fez questão e enaltecer as qualidades do cartoonista vilafranquense, com um longo passado dedicado aos cartoons e, claro ao concelho, não fosse ele um dos “obreiros” da “CartoonXira” que se realiza anualmente em Vila Franca.

Numa altura em que se comemoram os 50 anos do 25 de abril, o presidente da Câmara quis associar a arte de António a esta efeméride, justificando com o facto de também o cartoonista estar a cumprir meio século de carreira “e sendo ele próprio um artista da luta pela liberdade de imprensa, e do livre pensamento”. “Por ser de Vila Franca de Xira, foi para nós absolutamente evidente que a grande exposição nacional comemorativa da efeméride teria de acontecer a partir desta cidade, invadindo com ela os espaços mais nobres da nossa rede cultural”.

A exposição evocativa estará distribuída pelo Museu do Neo-Realismo, Fábrica das Palavras e pelo Celeiro da Patriarcal

O autarca recordou os cartoons mais polémicos e conhecidos, que ainda perduram na nossa memória coletiva, como os do Papa João Paulo II com o preservativo no nariz, ou o de Gorbatchov com o mapa mundo pintado na testa. Sublinhou, por isso, o talento e a originalidade do cartoonista vilafranquese.

António, por seu lado, parco em palavras, agradeceu esta homenagem. O cartoonista que há mais de 40 anos colabora no jornal Expresso, vincou ele também a pessoa de Pinto Balsemão, diretor daquele periódico, e recordou os tempos pelos quais passou que foram importantes na sua criatividade nomeadamente “o Processo Revolucionário em Curso (PREC)” , “os golpes de Estado”, depois “a institucionalização da democracia”, “os regionalismos insulares”. “Apanhei tudo isso”. No plano internacional, citou a título de exemplo, “a Queda do Muro de Berlim”, “o desenvolvimento da URSS”, “as invasões dos Estados Unidos”. Para o artista basta estar atento é “à janela”.

Marcelo Rebelo de Sousa, que já tinha condecorado António, sublinhou o seu percurso, com quem também se cruzou nos primeiros anos do Expresso.

Para o Presidente da República, “António é um mundo feito de milhões de mundos, tantos, tão variados e tão mutantes, que neles cabem todos, os que foram e já não são, e os que ainda não são, mas serão”

Marcelo recordou um dos trabalhos de António, um cartoon evocativo do PREC- “A Última Ceia –  Porque estão lá os capitães de Abril. Todos.”

E prosseguiu: “A ideia era perceber se haveria ali um Judas ou não. Perceber quem seriam os alinhados, os desalinhados, em cada momento de uma Revolução em que os alinhamentos e desalinhamentos mudavam o ritmo”.

A Exposição ficará patente no Museu do Neo-Realismo, no Celeiro da Patriarcal e na galeria “Sem Palavras” (Fábrica das Palavras), de 23 de junho a 20 de outubro de 2024.

 

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