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André Vaz: “Ao nosso Sport Lisboa e Benfica”

Este é um artigo diferente do habitual. O deporto nacional é um setor de atividade que necessita de maior transparência e, por consequência, de maior escrutínio da sociedade. Nas últimas semanas temos assistido e sabido de um conjunto de acontecimentos no Sport Lisboa e Benfica que não podemos normalizar. Como adepto e sócio da maior instituição desportiva portuguesa não é possível manter-me sem dizer nada.

Fomos presenteados com uma auditoria que conclui que “…não identificámos nenhuma situação ou particularidade em que a SAD tenha sido diretamente lesada por qualquer um dos seus representantes.”. Ora, há coisas que são difíceis de engolir.

“A gestão do nosso clube já há muito que deixa a desejar. Errar é humano, mas têm sido um conjunto de decisões erradas que penalizam direta ou indiretamente o clube”

Nessa mesma auditoria ficámos a conhecer uma realidade (os agentes de futebol) que ouvimos falar com regularidade nas habituais rubricas televisivas de mercado de transferências, mas pouco sabíamos sobre a mesma. Quando o Benfica paga, em 76% das comissões, um valor acima das recomendações da FIFA, isto não é ser-se lesado? Quando são realizadas 11 transferências de jogadores onde paga comissões a mais do que um agente, não é ser-se lesado? Quando são celebrados 9 contratos de transferência onde só existe a assinatura de um membro do conselho de administração, não é ser-se lesado? Quando foram apurados 20 jogadores com saldo contabilístico negativo, não é ser-se lesado? Mas afinal o que é que os auditores precisam para concluir que se é lesado? Se para os auditores, o Benfica não o foi, enquanto sócio sinto-me incrédulo e lesado tendo em conta o que está escrito no relatório.

A gestão do nosso clube já há muito que deixa a desejar. Errar é humano, mas têm sido um conjunto de decisões erradas que penalizam direta ou indiretamente o clube. Basta recordarmos a renovação no final de março do contrato com um treinador que garante aumentos salariais anuais sem sabermos como decorrerão essas mesmas épocas desportivas. Ou os milhões gastos em jogadores sem qualquer aproveitamento desportivo ao invés de renovações contratuais com jogadores com provas dadas.

“Queremos conquistar a Europa, queremos conquistar o mundo

O Sport Lisboa e Benfica precisa de sangue novo, ideias diferentes, sem vícios e casos que nos assombrem enquanto benfiquistas. Quem sabe, antecipando mesmo o ato eleitoral para o momento a seguir à próxima época, ao invés do mesmo decorrer em plena época seguinte (outubro de 2025). Não queremos ser envergonhados por “supostos benfiquistas” que, com os casos judiciais que conhecemos, podem ter usado e gerido o Benfica como se fosse tudo deles.

Somos quem mais leva o nome do nosso país lá fora, somos “a” notícia, somos o maior clube de Portugal. Como benfiquista, tal como digo a quem me conhece, somos mesmo o maior clube do mundo. Portugal e o Benfica confundem-se e um não existe sem o outro.

A nossa grandeza tem de se começar a materializar. Não aceitamos a derrota como o novo normal, não aceitamos menos do que ganhar tudo e não aceitamos menos do que “sangue, suor e lágrimas” na luta porque “de um clube lutador/ Que na luta, com fervor/ Nunca encontrou rival”. Queremos conquistar a Europa, queremos conquistar o mundo. Ao mesmo tempo que queremos um clube financeiramente sustentável que amortize os quase 200 milhões de euros da sua dívida (bancária e obrigacionista), que reduza a emissão de empréstimos obrigacionistas que servem para pagar outros empréstimos realizados anteriormente e que invista numa estrutura moderna e flexível que atraia talento desportivo internacional para almejarmos ter dos melhores campeonatos de futebol e de modalidades da Europa.

Começaremos uma nova época desportiva com o sentimento que algo não vai bem no nosso clube e que alguma coisa terá mesmo de mudar. Mas não nos esqueçamos que seremos sempre os maiores!

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