A maior consciência da população relativamente ao lixo orgânico produzido em casa é uma das conclusões mais evidentes da experiência-piloto de recolha seletiva de biorresíduos em Vila Nova da Rainha, projeto que serviu de base para o arranque de uma nova fase da operação no concelho de Azambuja.
Este mês de junho, o sistema começará a ser alargado gradualmente a outras zonas através da colocação de contentores castanhos na via pública, numa aposta que pretende reduzir o lixo indiferenciado enviado para aterro e promover hábitos mais sustentáveis junto da população.
Segundo a EcoAmbiente ao Valor Local, a experiência em Vila Nova da Rainha revelou uma adesão “muito encorajadora” por parte dos moradores, não apenas pela utilização regular dos contentores castanhos, mas também pela crescente sensibilização para a importância da separação correta dos resíduos orgânicos. A empresa admite que a mudança de hábitos exige tempo e acompanhamento, mas considera que os primeiros sinais mostram uma população mais consciente e participativa.
Um dos aspetos mais curiosos identificados durante a fase-piloto prende-se precisamente com a alteração de comportamentos dentro das próprias casas. Segundo a EcoAmbiente, vários moradores passaram a ter maior noção da quantidade de desperdício alimentar produzido diariamente, levando algumas famílias a desperdiçar menos comida e a refletir mais sobre os seus hábitos de consumo. “Esse é um dos impactos mais positivos”, admite a empresa, ao reconhecer que a separação dos biorresíduos acaba também por gerar maior consciência ambiental.

Azambuja vai ter modelo de contentor público na rua
Depois do modelo porta-a-porta implementado em Vila Nova da Rainha, o desafio passa agora por aplicar o sistema numa escala mais ampla e urbana. Em Azambuja, a recolha será feita através de contentores públicos na rua, solução que a empresa reconhece apresentar desafios diferentes, sobretudo ao nível da contaminação dos resíduos e da correta separação dos materiais.
Para minimizar esses riscos, a EcoAmbiente diz estar a preparar uma estratégia de proximidade baseada em ações de sensibilização, sessões de esclarecimento, outdoors, mupis e distribuição de materiais informativos. A experiência adquirida em Vila Nova da Rainha mostrou, segundo a empresa, que o contacto direto com a população e a rapidez na resposta às dúvidas são fatores decisivos para consolidar novos hábitos.
Entre os erros mais frequentes encontrados até agora estão a deposição de plásticos convencionais, embalagens não biodegradáveis e outros resíduos impróprios nos contentores castanhos. Ainda assim, a empresa considera que a ligação histórica da população do concelho à agricultura e ao reaproveitamento dos recursos pode funcionar como vantagem neste processo. Muitas famílias já mantêm práticas tradicionais de aproveitamento orgânico, seja através da compostagem ou da alimentação animal, o que aproxima a população do conceito de valorização dos resíduos orgânicos.
Apesar de os dados ainda serem preliminares, a EcoAmbiente refere que já se verifica uma participação crescente na separação dos biorresíduos e uma maior sensibilização da população para a gestão doméstica dos resíduos. A redução do lixo indiferenciado ainda não é muito expressiva, mas a empresa considera natural que a consolidação dos resultados exija tempo e continuidade no acompanhamento.
A recolha seletiva de biorresíduos corresponde atualmente a uma exigência ambiental europeia e integra metas nacionais de redução de resíduos enviados para aterro. A EcoAmbiente considera que o importante agora é acelerar esta transformação de forma eficaz, envolvendo as comunidades locais e garantindo resultados duradouros.
No caso de Azambuja, a empresa acredita que o impacto ambiental poderá ser significativo nos próximos anos, não só pela redução de resíduos indiferenciados enviados para aterro, mas também pela diminuição das emissões de gases com efeito de estufa e pela valorização dos resíduos orgânicos através da sua transformação em recursos úteis, como composto orgânico.




