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Rui Corça: “A escolha é péssima. Mas temos de a fazer”

A minha reflexão sobre a escolha do próximo Presidente da República de Portuguesa.

Anda tudo muito assanhado, mas também muito enganado e “envenenado”. Vejamos.

Diz a ciência política que, numa eleição a duas voltas, não se vota com a mesma motivação na primeira e na segunda. Tendo a concordar: na primeira exprimimos a nossa preferência; na segunda, excluímos quem menos queremos.

Por outro lado, o que está em causa é escolher uma pessoa que irá receber diretamente do voto a responsabilidade de nos representar a todos. Por isso, tem de ter capacidade de diálogo com todos, de garantir a todos que as instituições da República nos tratam como iguais e de fiscalizar o cumprimento das regras (a Constituição e as leis).

Assim, esta eleição não tem grande coisa relacionada com esquerda ou direita. Aliás, qual das direitas? E que esquerdas?

Fácil é reduzir tudo a um rótulo. Na esquerda é tudo igual: são todos cúmplices dos roubos de Sócrates. Ou atuam todos como Costa, que banalizou a mentira na boca de um político e vendeu a alma ao diabo só para chegar e manter-se no poder. Na direita, se não se for divisionista ou xenófobo, se não se gritarem impropérios e insultos a tudo e a todos, é porque se é cúmplice do socialismo.

É como se um adepto do Benfica não pudesse elogiar um golo do Sporting, ou um portista fosse incapaz de admitir que o Benfica jogou melhor.

A partir daqui, apresento a minha escolha: opto por António José Seguro.

Porquê? Porque defendo a liberdade e a democracia — aquela que permite que, sendo o voto secreto, eu possa abdicar dessa segurança sem temer que sobre mim caia qualquer tipo de represália.

Ora, o outro candidato, que hoje vinca diferenças e insulta adversários, metendo todos no mesmo saco, é evidente que não está em condições de promover o diálogo entre todos.

Se distingue portugueses de A e de B, como poderá garantir a todos que as instituições da República os tratam como iguais?

Se se afirma contra o sistema, como vai fiscalizar o cumprimento das regras, se a sua prioridade é mudá-las?

Por último: quem sinto que me representa? No fim do dia, é quem partilha um mínimo de valores essenciais da vida em sociedade — liberdade, democracia, humanismo, igualdade de oportunidades, dignidade e esperança num futuro melhor, sem ninguém ficar para trás.

Mas, caro leitor, quero dizer mais.

Esta posição significa que mudei uma vírgula do que penso e combato na esquerda radical? Não.

Significa que mudei uma vírgula do que penso e combato no Partido Socialista? Não.

Significa que mudei uma vírgula do que penso e combato na gestão socialista desastrosa e desastrada da Câmara de Azambuja? Não.

Significa que mudei uma vírgula do muito respeito que tenho pela maioria dos eleitores de Ventura ou do CHEGA? Não.

Sim, respeito os eleitores. É legítima a sua revolta quando o país deixou que a injustiça de muitas situações deixasse de os proteger; quando os desmandos e gastos da gestão socialista não lhes proporcionaram o rendimento justo, o médico quando é preciso, o professor dos filhos sem falhas, a proteção e a segurança.

A minha crítica vai para o candidato Ventura e para os dirigentes do partido que dirige: a falta de escrúpulos em usar o sofrimento e as condições de vida de muitos dos nossos vizinhos para os seus berros constantes contra o “sistema”. (E para a maioria dos porta-vozes do CHEGA, que demonstram no debate público uma indelicadeza própria de energúmenos.)

Mas estas situações não se resolvem sendo contra o sistema, resolvem-se fortalecendo-o e protegendo-o dos oportunistas — no país, no nosso concelho, na nossa freguesia, sejam de que partido forem.

Os políticos do silêncio, “politicamente corretos”, que usam esta tática para chegar ao poder e nele se manterem, são os verdadeiros responsáveis pelo crescimento dos populistas demagogos.

A escolha é péssima, mas temos de a fazer.

Se tiver de ser na base da esperança de que mude depois de eleito, ainda assim é mais seguro que um “panhonha mole” me surpreenda com a coragem de defender quem é tratado com desigualdade, do que um radical mal-educado, travestido de qualquer “melonização”, venha a fazê-lo.

Por uma razão simples: o primeiro estará a fazer o que apregoa (para muitos dos que por aí andam, já não é pouco); o segundo estaria a contradizer-se, pois a sua retórica aos gritos serve sempre para nos dividir.

Não é uma questão de puros ideológicos. Se já nem a televisão é a preto e branco, porque é que a política tem de ser?

Entre quem, com todos os defeitos, tem na base uma ideia de democracia e de igualdade de todos os cidadãos perante a sociedade, e quem vê a democracia como um mero instrumento para chegar ao poder, tendo como modelos os “Trumps” da vida e nunca dizendo o que fará com esse poder, a escolha é fácil — e temos de a fazer. Caso contrário, são os outros que a fazem por nós.

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