O chamado “Trumpismo” já não é apenas um fenómeno americano ligado a Donald Trump. Tornou-se uma forma de fazer política que ultrapassou fronteiras e passou a influenciar o debate público em várias partes do mundo.
Não é tanto uma ideologia, mas um estilo: mais direto, mais agressivo, mais dividido entre “nós” e “eles”. Um estilo que desconfia das instituições, dos acordos entre países e até da própria ideia de compromisso. Em vez disso, aposta no confronto e em soluções imediatas.
À primeira vista, pode parecer um tema distante, sem impacto real no dia-a-dia. Mas não é.
Vivemos num mundo mais instável. A guerra na Ucrânia, as tensões no Médio Oriente e a rivalidade entre grandes potências mostram que a política internacional está mais imprevisível do que há alguns anos. E quando a instabilidade aumenta, há algo que reage quase de imediato: o preço da energia.
O petróleo e o gás natural são hoje peças centrais do equilíbrio global. Basta um conflito, uma sanção ou uma crise diplomática para os preços subirem. E quando sobem, o impacto sente-se rapidamente.
Sente-se na gasolina, nos transportes, na eletricidade e, em cadeia, no custo de vida. Aquilo que acontece a milhares de quilómetros deixa de ser distante e passa a fazer parte do quotidiano. É aqui que a ligação se torna evidente. Um ambiente político mais tenso, onde o confronto substitui o diálogo, contribui para um mundo mais incerto. E a incerteza, na economia, como em tudo na vida, paga-se.
Ao mesmo tempo, cresce a desconfiança em relação às organizações internacionais e aos acordos entre países. Durante décadas, essas estruturas ajudaram a garantir alguma estabilidade, mesmo que imperfeita. Hoje, essa estabilidade está mais frágil.
Quando as regras deixam de ser claras ou deixam de ser respeitadas, tudo se torna mais imprevisível. E num mundo imprevisível, os preços oscilam mais, os mercados reagem mais depressa e os custos aumentam.
Importa dizer: o Trumpismo não criou todos estes problemas. Mas ajudou a normalizar uma forma de fazer política que vive da tensão, da divisão e da urgência constante.
O problema é que um mundo em tensão permanente é também um mundo mais caro.
Há ainda um outro efeito menos visível, mas igualmente importante: quando a política se torna mais polarizada e imediatista, fica mais difícil tomar decisões de longo prazo como investir em energias mais estáveis ou cooperar para evitar crises futuras. Sem esse planeamento, os países ficam mais expostos a choques e a respostas de curto prazo, que tendem a agravar os problemas em vez de os resolver.
Em Portugal, este impacto sente-se de forma direta na carteira das famílias: aumentos no preço dos combustíveis refletem-se nas deslocações diárias, a eletricidade mais cara pesa nas despesas fixas e o encarecimento da energia acaba por fazer subir o preço dos alimentos e de outros bens essenciais. Com salários que na sua generalidade não acompanham estas subidas, o resultado é uma perda significativa de poder de compra e maior dificuldade, ou mesmo impossibilidade, em poupar ou lidar com imprevistos.
No fim, a política internacional pode parecer distante, mas sente-se no bolso.




