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“Notícias de Azambuja” deu a conhecer pouco dos dias da Revolução

Em Azambuja está disponível no Museu Municipal o jornal “Notícias de Azambuja”, que retrata também os dias da Revolução. Trata-se de uma publicação mais rudimentar do que as congéneres dos outros concelhos aqui analisados. Não indo além de meia dúzia de páginas, acaba por não dar o ênfase esperado ao abril de 74, talvez porque um dos seus fundadores tivesse sido Américo Botelho, presidente da Câmara durante o Estado Novo, e que escreve durante os dias Revolução um largo texto com carácter mais ou menos pessimista em relação ao 25 de abril. Esta é uma publicação de menor fôlego, as notícias diziam sobretudo respeito a acontecimentos menores locais. A historiadora do município Carina Pereira reforça: “Era um jornal que falava dos nascimentos, dos casamentos e dos falecimentos”.

Um dos primeiros números após o 25 de abril

O jornal que existia desde os anos 50 fazia também notícias sobre tauromaquia, associações, feiras agrícolas e a inevitável Feira de Maio. A exaltação ao 25 de abril e às suas repercussões é infinitamente menor do que nos congéneres de outros concelhos. O jornal demite-se mesmo de algum espírito crítico dos acontecimentos, publicando na íntegra comunicados e o programa de Governo, bem como a reprodução de notícias a nível nacional. Percebe-se pouco o que foi a revolução no concelho, para além da tomada de posse de uma comissão administrativa da Câmara. A grande voz do quinzenário era mesmo a de Américo Botelho, presidente da Câmara durante alguns anos da ditadura, que numa longa dissertação coloca em cima da balança os prós e os contras da Revolução e a possível ameaça de uma ditadura comunista ao virar da esquina.

Numa das edições podemos ler trechos como este: “O povo português compreendeu o aparente objetivo do primeiro-ministro pró-comunista Vasco Gonçalves. Pretende destruir toda a economia deste país para sobre as suas ruínas implantar uma ditadura comunista”. Ainda referindo-se a Vasco Gonçalves determina: “Chega a ser inacreditável que um primeiro-ministro tenha conduzido a sua pátria a extremos tão dilacerantes. Cerca de 300 mil desempregados com tendência a aumentar (…) equipamento industrial e agrícola destroçado (…) uma população que socialmente era das mais encantadoras da Europa está hoje dividida por um ódio cultivado por certos meios de informação”. E adianta ainda: “Quando no 25 de abril a iniciativa privada funcionava francamente em muito melhores condições do que a iniciativa do Estado, estamos a antever o que será a administração de empresas nacionalizadas sem que primeiro se tivessem preparado quadros à altura das responsabilidades”. Sem deixar de saudar o 25 de abril, aponta críticas aos dias que se seguiram e a iminência da ditadura comunista. É a única voz que ousa apontar uma conceção crítica da Revolução nos 3 jornais estudados nesta reportagem. Um ponto de vista que surge numa altura ainda prematura no pós-revolução, mas que não deixaria de bater certo, em parte, com tempos conturbados que se viriam a sentir no futuro e que desembocariam no 25 de novembro de 1975, data que para muitos significa a consolidação total da liberdade e da democracia no país.

Por estes dias de celebração de abril, o museu conta com uma exposição de dois combatentes da ditadura António e Fernanda Lopes Cardoso, um casal com um papel muito ativo na comunidade azambujense na implantação das primeiras medidas pós 25 de abril, e sobre os quais não encontramos muitas referências no Notícias de Azambuja. Carina Pereira explica que o seu espólio do qual consta manuscritos das primeiras reuniões que antecederam a constituição das comissões administrativas estava no Centro de Documentação do 25 de abril, mas que foi emprestado ao município para esta exposição. Nesta exposição podemos ver como Azambuja celebrou nas ruas o 1º de Maio e o 25 de Abril, registos que não encontramos na imprensa. “Fernanda Lopes Cardoso, que tinha família em Azambuja, foi uma grande impulsionadora e uma mulher com uma grande capacidade de organização”. O casal atendeu ainda ao que eram as reivindicações dos trabalhadores do concelho, dando conta daquilo que fazia falta. Os dois estiveram ligados ao PS. O marido ainda chegou a fundar um partido mas voltou ao PS.

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