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Paulo Afonso: “A Chaga”

Nem sempre as palavras são suficientes para nos ajudar a descrever, na sua inteireza e singularidade, a realidade que nos cerca. À nossa volta tudo parece ser interpretável, passível de uma leitura possível, mas, ao fim e ao cabo, na verdade, às vezes, encontramo-nos numa espécie de encruzilhada, onde de um lado temos o silêncio – e tanto silêncio, faz barulho demais! – e do outro uma cacofonia que, no lugar de nos esclarecer, tenta nos empurrar para o universo da desinformação militante.

A saber, há uma chaga que se alastra no nosso sistema democrático! Uma chaga que se instalou e que tem utilizado a exploração fácil do tremendismo, do desespero e da desesperança como combustíveis para a sua propagação viral.

Uma chaga que marca a «ferro e fogo», que desqualifica qualquer discussão séria, que se quer ter, no espaço público ou no mundo digital, sobre os assuntos sérios que nos preenchem a vida de todos os dias.

Primeiro, e sendo de uma clareza meridiana, a chaga começou a avançar quando foi preciso encontrar um «bode expiatório» – como ao longo da História foram tantos outros – para clamar, demagogicamente, que estes e não aqueles, não respeitavam as regras, a organização e a disciplina da normal convivência em sociedade.

O anti-ciganismo serviu como afirmação punitiva, como um tiro de partida para se abrir uma «caixa de Pandora», noutras palavras, sabemos bem como começa e tal como no passado sabemos bem como poderá terminar!

Depois, o foco foi redireccionado, com uma matriz argumentativa similar, para os refugiados, para as comunidades migrantes mais pobres como mais um elemento de expiação, neste caso, igualmente, detonador das insuficiências do Estado, do bem-estar social, da estabilidade económica e identitária da Nação.

A seguir com a maioria absoluta do PS, obtida nas eleições antecipadas de Janeiro de 2022, importava continuar a capitalizar o descontentamento, olhando para a governação socialista como foco de tensão, de irresponsabilidade e, até mesmo, como imerecedora do voto maioritário que recebera da população.

A chaga do anti-socialismo primário entrava em campo para alimentar, mais uma vez, o reacionarismo mais básico da Direita Radical, onde no lugar da substância, tínhamos um vazio adjectivo carregado de ilusão.

A chaga que se alastra, que pretende refrear a consolidação da Democracia, que envenena a República e atenta contra os princípios norteadores da Constituição, tem igualmente, a tentação, diria mesmo, a intenção de enfraquecer e de anular a Direita Democrática – muito em particular o principal partido dessa área politica, o PPD/PSD. Esse é o próximo passo, senão mesmo, de momento, o motor principal do seu programa de acção!

Há um caminho que pretende trilhar, que paulatinamente, o tem feito que é de inviabilizar, diminuir, anular, menorizar o lastro comum que no quadro das garantias, direitos e liberdades o campo democrático da Direita partilha, num amplo consenso, com a Esquerda Democrática.

Estamos, assim, perante a ascensão do Populismo com características xenófobas e de discriminação racial e religiosa, de feição autoritária e chauvinista que pretende diluir os valores em que assentamos a nossa organização social

É desta forma e por esta via que a chaga populista vai, também, marcando posição; afirmando-se o mais anti-sistema possível, mas fazendo, sempre que possível e o mais possível um jogo de sombras dentro do sistema para o corroer, para o minar e para o destruir! Nunca para o melhorar, para o reformar ou, tão-só, para o valorizar!

O sistema, a bem da verdade, é o modelo social europeu, a democracia liberal e plural e o modelo ocidental de desenvolvimento económico.

Estamos, assim, perante a ascensão do Populismo com características xenófobas e de discriminação racial e religiosa, de feição autoritária e chauvinista que pretende diluir os valores em que assentamos a nossa organização social como a Liberdade, a Dignidade Humana e o Estado de Direito, aos quais adicionamos, a Igualdade, a Democracia, o Pluralismo e a Tolerância, mas também, a Justiça, a Solidariedade, a Inclusão, a Diversidade, a Sustentabilidade e, por fim,  a Não Discriminação, os Direitos Humanos e a Paz.

Valores fundamentais no País, na União Europeia e no Mundo para que possamos ter sociedades mais livres, mais equilibradas e mais desenvolvidas! Esta chaga continua a enraizar-se nas verdades alternativas, alimenta-se das campanhas de «fake news» e promove novas estirpes de contrainformação que fortalecem o extremismo deplorável, o espírito de facção e o sectarismo alarve.

É uma doutrina iliberal que todos os democratas deverão repudiar, no plano das ideias, das acções e dos projectos de sociedade, travando o bom combate em nome dos valores e dos princípios democráticos, mas também, por um futuro melhor onde as próximas gerações não se sintam na obrigação de fechar a chaga que, displicentemente, teimamos em deixar aberta!

 

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